António Costa apelou aos partidos da Assembleia da República e aos parceiros sociais, esta quinta-feira, para que seja possível um nível de “consenso político e social” que permita enfrentar a crise económica no contexto da pandemia de Covid-19. O repto foi deixado numa reunião da comissão política nacional do PS, em Lisboa

Da mesma forma que enfrentámos esta pandemia temos de enfrentar esta crise económica e social. (...) Temos de ter a humildade de compreender bem que, por muita força que o PS tenha, precisamos de todos os parceiros sociais e de todos os partidos da Assembleia República. Soubemos unir-nos contra o vírus e temos de nos saber unir agora contra a crise económica, contra o desemprego e contra o empobrecimento."

O chefe do Governo socialista afirmou que é nesse espírito de abertura e de diálogo que vai receber os partidos políticos e os parceiros na próxima semana. O Executivo quer desenhar um programa de estabilização económica e social que será materialzado num Orçamento Suplementar, que será apresentado em junho, na Assembleia da República.

Todos os partidos têm apresentado as suas propostas, umas melhores, outras piores, umas possíveis, outras nem tanto. Vamos também ouvir os parceiros sociais, que são essenciais para esse processo de estabilização económica e social do país. Queremos desenhar um programa de estabilização económica e social que terá tradução no Orçamento Suplementar a apresentar em junho na Assembleia da República", acrescentou.

António Costa salientou que os apoios adotados pelo Governo durante a pandemia de Covid-19 "evitaram a falência de empresas" e "a perda total de rendimentos", mas que agora é necessário passar para uma "fase de estabilização económica e social que permita proteger empresas e emprego". Só depois se poderá avançar para "um programa de relançamento da economia".

So há boa saúde pública num país com prosperidade", vincou.

O primeiro-ministro destacou que as "medidas drásticas e radicais" implementadas têm "uma fatura social e económica que se começa a tornar evidente" e deixou o aviso: os próximos dois anos serão muito duros para o país.

Vamos ter pela frente dois anos muito duros de combate pela proteção das nossas empresas, do emprego e do rendimento dos portugueses. Vão ser dois anos muito exigentes e não há otimismo que permita pensar que vamos conseguir fazer isso em menos tempo."

Costa começou a sua intervenção sublinhando que o Serviço Nacional de Saúde deu "provas de robustez" e permitiu dar "confiança aos portugueses".

"O Serviço Nacional de Saúde deu boas provas da sua robustez. Nunca esteve em momento algum em situação de rutura. O investimento que foi feito ao longo dos últimos quatro anos (…) o reforço significativo de recursos humanos, a aquisição massiva de equipamentos permitiu ao SNS responder e dar confiança aos portugueses de que se tudo corresse pelo pior, fossem infetados e tivessem de ir ao hospital tinham condições para serem atendidos”, frisou.

Agradeceu aos profissionais de saúde, que "deram o litro" e "sem os quais seria impossível darmos a resposta que demos", a todos "os trabalhadores que estiveram na primeira linha" e a todos os portugueses que "prescindiram da sua liberdade de circularem", "de se encontrarem", "de não estarem com as suas famílias".

Em todos os momentos de exceção, os portugueses provam que são excecionais", sublinhou.

O chefe do Executivo lembrou que a "batalha" contra a Covid-19 "não terminou" e nem sequer se sabe se já vai a meio. 

Ainda não sabemos se já estamos a meio desta batalha porque a batalha só vai terminar quando o vírus desparecer ou já estiver controlado", destacou.

Por isso, afirmou que os portugueses têm de "manter o afastamento", as "normas de higiene" e o "enorme cuidado", não se sabe se durante mais três meses, mais seis meses ou um ano. "Enquanto tivermos este vírus vamos ter de ter as cautelas", acrescentou.

Sofia Santana / atualizada às 22:39