O primeiro-ministro António Costa não gostou de ser confrontado pelo PSD na abertura do debate quinzenal desta quarta-feira com questões sobre José Sócrates ou a responsabilidade do Governo nos incêndios de junho e outubro e fez questão de sublinhá-lo, numa altura em que a discussão tinha já subido de tom.

Com toda a franqueza, os dois temas que escolheu para este debate dizem tudo sobre o estado do PSD e qual é a postura do PSD no debate politico nacional", criticou o primeiro-ministro, dirigindo-se ao líder parlamentar social-democrata, Fernando Negrão.

Seguiram-se momentos de contestação entre bancadas, com António Costa a prosseguir o ataque.

Não lhe farei o favor de o acompanhar nem no tom nem na emoção. Manter-me-ei sereno, determinado, como o Governo, que está a cumprir a sua obrigação, como estivemos incansáveis neste inverno a mobilizar o país para a grande tarefa da limpeza das matas, como estamos a executar o relatório da Comissão Técnica Independente aprovado nesta assembleia, e em boa hora proposto pelo PSD, e já agora que o PSD não liga nenhuma às suas recomendações ao menos que haja alguém que o faça, que é o Governo. Boa tarde senhor deputado!", afirmou o primeiro-ministro.

Fernando Negrão tentou pedir a palavra sem evocar um motivo, com Jorge Lacão, que assumiu a Presidência da Assembleia da República na ausência de Ferro Rodrigues, que foi operado, a interromper o social-democrata para lhe dizer que só poderia dar-lhe a palavra "se evocar a figura regimental para o efeito".

A figura regimental é só acenar e dizer boa tarde senhor primeiro-ministro!", respondeu Negrão, em tom crispado.

Antes, na resposta ao líder parlamentar do PSD, António Costa reiterou que a sua demissão não é a solução para o problema dos incêndios. 

Assumo sempre as minhas responsabilidades e a responsabilidade de um governante quando há um problema não é demitir-se, é resolvê-lo, e é o que farei", sublinhou.

Mas Fernando Negrão contra-atacou com "a incompetência e o acumular de erros" que "só nos podem deixar preocupados", como a contratualização de meios aéreos que ainda não está garantida, a auditoria da Proteção Civil a Pedrógão Grande que aponta para falhas graves além de ter estado "escondido seis meses", os agricultores que continuam à espera de ajuda, a demissão do comandante operacional nacional António Paixão, o facto de os GIPS não terem luvas, nem capacetes ou camas, naquilo que disse serem "sinais reveladores" de que as coisas estão a funcionar mal quando se aproxima o período de incêndios.

No dia 21 de outubro o conselho de ministros aprovou as resoluções da Comissão Técnica Independente, que temos vindo a executar, com um reforço significativo dos GIPS. O que estamos a discutir é a duplicação da capacidade de intervenção desse grupo, que tem vindo a ser formado e que vai estar equipado a ritmo acelerado porque levantar uma força desta dimensão, que não foi reforçada durante dez anos e está a ser reforçada nestes meses, é um trabalho em tempo recorde que está a ser feito. Iremos continuar a passos e passo a cumprir as resoluções, de forma a que o dispositivo esteja nas melhores condições possíveis para enfrentar a ameaça dos incêndios", garantiu Costa.

Negrão achou insuficiente a resposta, que considerou aliás uma não resposta.

É a resposta padrão que tem dado às nossas perguntas sobre os incêndios. E os problemas amontoam-se. Foi penoso ouvir o ministro da Administração Interna a responder às perguntas dos deputados. Foi penoso porque não respondeu a uma pergunta. Nós não fazemos estas perguntas por estarmos preocupados com a nossa posição política, fazemos estas perguntas porque estamos preocupados com os portugueses."