O primeiro-ministro, António Costa, sublinhou esta segunda-feira, em Viana do Castelo, a aposta do Governo na ferrovia, defendendo que se trata de um elemento "fundamental" para a internacionalização da economia.

Falando na inauguração da eletrificação do troço da Linha do Minho entre Nine e Viana do Castelo, António Costa acrescentou que Portugal tem de acompanhar o "grande investimento" que está a ser feito para criar "grandes redes transnacionais que liguem toda a Europa por via ferroviária".

"Não podemos estar fora desse esforço, temos de estar nesse esforço", afirmou.

O primeiro-ministro destacou que o investimento na Ferrovia 2020, com mais de 2 mil milhões de euros mobilizados, "é um dos grandes objetivos que o país tem de ser capaz de concretizar".

Nesse programa, destacou três eixos que rotulou "da maior importância": a ligação do porto de Sines a Espanha, a ligação do porto de Aveiro a Vilar Formoso e a ligação do Porto à Galiza.

"Passo a passo, estação a estação, vamos fazendo o que temos de fazer", acentuou, defendendo a importância da ferrovia como um elemento fundamental para a internacionalização da economia.

"Durante anos, tivemos de partir para longe para encontrar as oportunidades que o nosso território não era suficiente para assegurar. Esta segunda-feira, com a integração europeia, temos obrigação de constituir e de fazer parte de um grande mercado ibérico", referiu.

A eletrificação do troço Nine-Viana do Castelo custou 16 milhões de euros, estando em curso a empreitada de eletrificação do troço entre Viana do Castelo e Valença, que estará concluída no segundo semestre de 2020.

De manhã, o primeiro-ministro esteve presente na cerimónia que assinalou a entrada em funcionamento de um novo troço de 14 quilómetros, da Linha do Douro, entre as estações de Caíde de Rei e Marco de Canaveses, um investimento de 10,5 milhões de euros.

"Hoje é um dia particularmente feliz para Portugal", disse.

Neutralidade carbónica em 2050

O primeiro-ministro, António Costa, destacou hoje que o investimento na ferrovia que o país está a fazer, que considerou o maior no último século, vai ajudar Portugal a alcançar a neutralidade carbónica em 2050.

"Para atingir a meta da neutralidade carbónica em 2050, temos que mudar o nosso paradigma energético, cada vez mais assente em renováveis e menos em combustíveis fósseis, e temos de mudar o nosso paradigma de mobilidade nas cidades e não só", afirmou o chefe do Governo, sinalizando a importância do transporte ferroviário.

António Costa discursava em Lousada para assinalar a entrada em funcionamento de um novo troço de 14 quilómetros, da Linha do Douro, entre as estações de Caíde de Rei e Marco de Canaveses, servido desde domingo por composições elétricas dos comboios suburbanos do Porto.

O primeiro-ministro, que hoje viajou de comboio entre as duas estações, acompanhado do ministro da tutela, Pedro Nuno Santos, recordou que a nova infraestrutura ferroviária vai permitir diminuir as emissões poluentes para a atmosfera provocadas pelas composições a diesel, o que também acontecerá, frisou, com a ligação entre Nine e Viana do Castelo, na Linha do Minho, que hoje vai ser inaugurada.

Outras linhas que estão a ser melhoradas, em vários pontos do país, acrescentarão mais ganhos ambientais, anotou.

Ouvido por vários presidentes de câmara do distrito do Porto, o chefe do Governo insistiu que o investimento em curso diminuirá a dependência externa do país em matéria energética, para além de melhorar a qualidade de vida das populações e a competitividade das empresas portuguesas.

"Esta não é uma obra isolada. É uma das peças importantes do grande programa Ferrovia 2020, que é o maior programa ferroviário, seguramente das últimas décadas e do último século, com dois mil milhões de euros de investimento", observou, acrescentando que a melhoria das ligações ferroviárias internacionais é uma das prioridades, nomeadamente no corredor Sul, ligando o Porto de Sines a Espanha, no corredor Norte, ligando Aveiro a Vilar Formoso, e no corredor da Linha do Minho, ligando o Porto à Galiza.

Antes do primeiro-ministro, intervieram os presidentes das câmaras de Lousada e de Marco de Canaveses, Pedro Machado e Cristina Vieira.

Ambos os autarcas sublinharam a importância da obra de eletrificação da linha do Douro para a região do Tâmega e Sousa e agradeceram ao Governo e ao primeiro-ministro por ter sido possível concretizá-la, depois de vários anos de sucessivos adiamentos.

A eletrificação daquele troço da Linha do Douro, que abrangeu território de Lousada, Penafiel, Amarante e Marco de Canaveses, custou cerca de 10,5 milhões de euros e abrangeu outras melhorias na infraestrutura ferroviária e estações, incluindo em três túneis centenários que viram a segurança reforçada.

A Infraestruturas de Portugal está, entretanto, a trabalhar no projeto da eletrificação do troço que ligará as estações de Marco de Canaveses e Régua, prevendo-se que o concurso para a empreitada possa ainda ser lançado em 2019.