O primeiro-ministro afirmou esta terça-feira que, com a crise de Covid-19, João Cotrim Figueiredo deixou de ser o deputado da Iniciativa Liberal e passou a ser da "iniciativa estatal", tendo o liberal considerado que epidemia não pode "rimar com burocracia".

No debate quinzenal desta terça-feira, António Costa começou a resposta a João Cotrim Figueiredo ao ataque, considerando que "não há nada como uma boa crise para transformar um bom liberal num intervencionista".

É aliás uma longa tradição dos liberais portugueses", argumentou, continuando: "assim que a crise chega, Aqui-d'el-rei que venha o Estado para nos salvar. O senhor deputado deixou de ser o deputado da iniciativa liberal e passou a ser o deputado da iniciativa estatal", atirou, dirigindo-se a João Cotrim Figueiredo.

O deputado liberal tinha afirmado que "há duas prioridades que já são evidentes" em relação à Covid-19 que passa por "conter a epidemia e salvar a economia", as duas "com igual prioridade e a acontecer ao mesmo tempo".

Não sentimos o foco e a urgência suficientes nestas duas frentes", criticou, avisando que "no mundo real a epidemia não pode, de facto, rimar com burocracia".

João Cotrim Figueiredo condenou ainda "a enorme confusão" em relação aos testes ao novo coronavírus.

Uma semana depois de a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomendar fortemente testar, testar, testar, Portugal continua apenas a tentar, tentar, tentar. Isto não aceitável", lamentou.

Ainda no período da resposta, António Costa voltou a elencar os números em relação aos testes.

Os testes que temos em stock são 10 mil no setor público e 17 mil no setor privado. Os testes que temos encomendados são 280 mil, com previsão de entrega de 80 mil até ao próximo dia 29", enumerou.

Em relação às zaragatoas, estão "encomendadas 481 mil", adiantou ainda.

Temos estado a fazer as aquisições e eles serão empregues de acordo com a norma técnica da Direção-Geral da Saúde", explicou.

Costa pede a Ventura que não alimente boatos e salienta que “números são fiáveis”

O primeiro-ministro pediu esta ao deputado único do Chega, André Ventura, para não “alimentar boatos” relativamente aos números apresentados diariamente pela Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre os casos contagiados por Covid-19, salientando que os dados “são fiáveis”.

O deputado único do Chega começou por identificar a falta de testes e equipamentos em hospitais, e argumentou que “há ambulâncias que já nem sequer estão a sair para acorrer a urgências”, querendo saber se o primeiro-ministro estava arrependido de ter dito na segunda-feira que “até agora não faltou nada” no Serviço Nacional de Saúde.

Na resposta, António Costa afirmou que André Ventura teve a “resposta cabal que foi dada sobre essa matéria” durante a sessão técnica que decorreu esta manhã no auditório do Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, em Lisboa, em que esteve presente o Presidente da República, o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da República, bem como líderes partidários, sindicais e patronais.

De seguida, o deputado questionou o chefe de Governo se é possível “confiar nos números” da DGS quando “uma grande, vastíssima parte da população não está a ser testada”.

O primeiro-ministro começou por indicar que “os dados que são divulgados são os dados comunicados diariamente por cada um dos médicos que atende cada um dos doentes”.

E como disse o senhor Presidente da República à saída da sessão em que todos estivemos, os números são fiáveis quanto ao número de casos conhecidos, quanto aos testes realizados, quanto aos testes identificados, quanto ao número de doentes que estão internados, quanto ao número de doentes que estão nos cuidados intensivos, quanto ao número de doentes que faleceram”, salientou.

 

Portanto, a última coisa que nós precisamos no meio desta dramática crise sanitária, é alimentar boatos e pôr em dúvida informação das entidades técnicas competentes e insuspeitas”, criticou Costa.

O deputado afirmou que não era essa a sua intenção, mas “apenas fazer perguntas que os portugueses nesta altura, em casa, se questionam”, perguntando depois “qual é a situação neste momento” em relação aos guardas prisionais.

Uma palavra para aqueles que nos defendem, que dão todos os dias a vida por nós, que todos os dias garantem a nossa segurança e se sentem todos os dias desapoiados por parte do Governo”, pediu.

O primeiro-ministro respondeu que o Governo presta “apoio a todas as forças e serviços de segurança e também à guarda prisional”, e pediu a André Ventura para ler a “mensagem que o senhor diretor dos serviços prisionais dirigiu” a estes profissionais, indicando que se revê “inteiramente” no que foi transmitido.

/ CE