O primeiro-ministro considera que os militares portugueses em missões externas das Forças Armadas estão a representar Portugal de forma "exemplar" e salienta o quadro de maiores dificuldades este ano em contexto de pandemia de covid-19.

Estas posições foram transmitidas por António Costa numa mensagem vídeo de Natal dirigida aos militares portugueses em missões externas, que foi gravada em São Bento, em Lisboa, e não no sábado passado, como inicialmente estava previsto, na República Centro Africana.

O primeiro-ministro teve de cancelar as suas visitas aos destacamentos militares portugueses na República Centro Africana, em São Tomé e Príncipe e Mali, entre sexta-feira e domingo da semana passada, por ter ficado a partir de quinta-feira em isolamento profilático preventivo da covid-19.

Numa mensagem que dirigiu "a todas as mulheres e homens das Forças Armadas Portuguesas", António Costa destaca o caráter "duro" a todos os níveis do ano que agora termina.

Quero enviar uma palavra especial a todos os militares, em particular aos que estão a desempenhar importantes ações de cooperação bilateral e multilateral no domínio da defesa, ou em missões e operações das Nações Unidas, da NATO e da União Europeia, um pouco por todo o mundo. Todos sem exceção representam Portugal de forma exemplar, e constituem, por isso, um motivo de justificado orgulho para todos os portugueses", declara o primeiro-ministro.

António Costa refere depois que era sua intenção este ano "estar pessoalmente" com militares de algumas das missões externas de Portugal nesta quadra natalícia.

Este seria o terceiro ano consecutivo que visitaria as Forças Nacionais Destacadas (FND), precisamente para enaltecer e agradecer o relevante papel que desempenham. No ano passado estive convosco em Samos (Grécia) e no Iraque, e há dois anos em Cabul, no Afeganistão. Este ano estaria na República Centro Africana, no Mali e no navio Zaire em São Tomé e Príncipe", assinala.

António Costa observou então a este propósito que, por se tratar de uma época especial do ano, o Natal - "em que as famílias sentem particularmente a distância dos seus familiares, mais ainda este ano tendo em conta o contexto de pandemia" -, queria muito ter podido transmitir pessoalmente "o reconhecimento devido", não apenas em seu nome, "mas também em nome do Governo e do povo português".

Como já é do conhecimento de todos, estou em isolamento profilático, não podendo deslocar-me, como planeado, para estar convosco. Mas é com a mesma determinação e alegria que vos envio esta breve mensagem para homenagear todos os militares que, 24 horas sobre 24 horas, 365 dias por ano, protegem sem alardes a nossa tranquilidade, os nossos bens e as nossas vidas. No nosso país e fora dele, em missões de grande importância ao serviço da comunidade internacional, ao mesmo tempo servindo igualmente os interesses do país e fazendo um trabalho extraordinário de que todos os portugueses se orgulham", sustenta o líder do executivo.

O primeiro-ministro fala depois sobre o quanto é difícil para os militares que se encontram em missões externas suportarem a distância em relação às suas famílias, sobretudo numa conjuntura de pandemia de covid-19.

Se a distância física de casa e das nossas famílias custa sempre, custa ainda mais nesta época festiva e num quadro de pandemia em que, apesar de já se começar a ver uma luz ao fundo do túnel, infelizmente ainda durante algum tempo não vamos poder baixar a guarda de maneira nenhuma. Esta mensagem também é, um muito sincero e justo agradecimento às famílias que de modo solidário e resiliente suportam a ausência e as saudades dos seus entes queridos, que, por motivos de serviço, têm de estar longe nesta altura do ano", acrescenta.

No ano passado, António Costa gravou a sua mensagem de Natal dedicada às forças militares e de seguranças nacionais na ilha de Samos, na Grécia, quando visitou o contingente da Polícia Marítima que ali presta serviço no âmbito de uma missão da Frontex (Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira).

Em 2018, a mensagem de Natal do líder do executivo português foi gravada na sua deslocação à missão das Forças Armadas no Afeganistão, que, segundo o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, vai terminar até ao final do primeiro semestre de 2021.

/ HCL