O Presidente da República e o primeiro-ministro inauguraram hoje a nova ala do Palácio da Ajuda, com António Costa a sublinhar que “o grosso do investimento” veio das “taxas e taxinhas” do turismo em Lisboa.

Os 31 milhões de investimento necessários para concluir a ala poente que vai acolher o futuro Museu do Tesouro Real - que abrirá ao público em novembro - resultam de um acordo entre o Estado, o Turismo de Lisboa e a Câmara da capital, que ‘entrou’ com 17 milhões, provenientes do fundo de desenvolvimento turístico.

Convém não esquecer que esta é a designação eufemística do que popularmente ficou conhecido como as ‘taxas e taxinhas’ criadas pela cidade de Lisboa e suportadas pelos turistas. Foram essas taxas e taxinhas que permitiram a constituição deste fundo”, defendeu António Costa.

O primeiro-ministro e anterior autarca de Lisboa referia-se à expressão celebrizada pelo então ministro da Economia do anterior executivo PSD/CDS-PP, António Pires de Lima.

Já Marcelo Rebelo de Sousa preferiu destacar que, 226 anos depois de lançada a primeira pedra do Palácio Nacional da Ajuda, a conclusão da nova ala representa “se não um momento histórico, um momento em que se faz história”.

A alguns, este facto convidará a meditações patrióticas, mais ou menos masoquistas, sobre as nossas demoras, ineficácias ou insuficiências orçamentais. A outros, e o Presidente da República está entre estes, esta cerimónia lembra a continuidade histórica de Portugal e a relação apaziguada, sem deixar de ser crítica, que podemos ou devemos ter com a história”, destacou.

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa visitaram juntos a caixa-forte onde ficarão guardadas algumas das peças mais valiosas do tesouro real, com uma pesada porta de cinco toneladas.

Questionados pelos jornalistas se não tiveram medo de ficar fechados lá dentro, António Costa respondeu negativamente, em tom bem-disposto: “A companhia é ótima”.

À saída, os dois despediram-se até quarta-feira, já que se irão encontrar na Madeira para as comemorações oficiais do 10 de Junho.

Sr. Presidente, já nos encontraremos a meio do Atlântico”, despediu-se Costa. “Eu já amanhã, o senhor primeiro-ministro no dia 9”, respondeu o chefe de Estado, que remeteu quaisquer declarações aos jornalistas para terça-feira, já na Madeira.

Nova ala do Palácio da Ajuda acolhe Museu do Tesouro que abre ao público em novembro

A nova ala do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa que marca a conclusão de uma obra com 226 anos, vai receber mil joias da coroa portuguesa e abrir ao público em novembro, no Museu do Tesouro Real.

O novo museu nacional funcionará dentro de uma caixa-forte com alta segurança, dentro do edifício agora acabado, mas totalmente separado das duas torres laterais, criadas para aumentar as acessibilidades do Palácio da Ajuda, indicou o arquiteto João Carlos Santos, responsável pelo projeto da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

"Após mais de dois séculos do lançamento da primeira pedra, em novembro de 1795, pelo príncipe regente, D. João, e depois de várias vicissitudes na história trágica da construção do palácio, finalmente deu-se a coincidência de um grupo de personalidades ter tido a coragem de acabar com a maldição que sobre ele se abatia", comentou o arquiteto.

A morte do monarca, as invasões francesas, incêndios, derrocadas e, por último, em décadas recentes, a falta de consenso em relação ao desenho do projeto, viriam a adiar sucessivamente esta empreitada que possui uma área bruta de 12 mil metros quadrados e usou 200 toneladas de pedra de lioz em reconstrução de fachadas.

O novo edifício, na ala poente do palácio, possui uma estrutura em vidro com lâminas verticais, que deixa entrar a luz no interior, e acolhe, no terceiro e no quarto pisos, uma caixa-forte com 40 metros de cumprimento, dez de largura e dez de altura que irá receber, em 72 vitrines repartidas por 11 núcleos, o acervo do museu, "uma coleção de valor incalculável, considerada uma das mais valiosas do mundo, e que nunca foi exposta na totalidade", disse João Carlos Santos.

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