O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que espera voltar com Marcelo Rebelo de Sousa à fábrica da Autoeuropa, em Palmela, após a reeleição do atual Presidente da República, logo no primeiro ano do seu novo mandato, em 2021.

António Costa fez esta alusão à eventual recandidatura do chefe de Estado no final de uma visita de hora e meia à Autoeuropa, tendo o chefe de Estado ao seu lado, assim como o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira.

Segundo o primeiro-ministro, em relação à Autoeuropa, "estabeleceu-se uma nova tradição de que o Presidente da República e o primeiro-ministro visitam-na em conjunto".

Foi assim em 2016, no primeiro ano de mandato do Presidente da República, e foi agora no último ano do seu atual mandato. Tenho uma boa data simbólica a propor para fazermos uma terceira visita em conjunto e para partilharmos uma refeição com os colaboradores da Autoeuropa: A terceira data é no primeiro ano do próximo mandato do senhor Presidente da República", declarou António Costa.

Depois, numa nota de humor, o primeiro-ministro referiu que, ao longo daquela visita à Autoeuropa, o Presidente da República experimentara um pastel de bacalhau e ele não.

Eu fiquei com vontade de experimentar o pastel de bacalhau. Espero que, para o ano, possamos partilhar uma refeição completa", insistiu António Costa.

Já após o chefe de Estado ter feito uma breve intervenção, o primeiro-ministro voltou a aproximar-se do microfone que fora instalado pela Autoeuropa para os discursos, deixando então mais uma referência sobre a eventual recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa nas eleições presidenciais de janeiro de 2021.

Como é sabido, sendo eu um otimista, não tenho a menor dúvida do que se seguirá no próximo ano", afirmou o primeiro-ministro.

Na sua intervenção, António Costa observou que visitou com o Presidente da República a Autoeuropa no dia 09 de dezembro de 2016, quando se assinalavam os 25 anos desta fábrica alemã.

Foi um momento muito importante para a nossa economia, numa altura em que o país estava a recuperar de uma crise económica e onde o sinal de confiança da Autoeuropa, anunciando que se preparava para lançar um novo modelo, foi muito importante. Hoje, eu e o Presidente das República regressámos num momento também muito difícil e em que foi possível verificar que, numa grande unidade industrial como esta (cerca de 2300 pessoas a trabalhar em cada turno), é possível regressarmos ao trabalho em segurança, apesar de continuarmos a viver no quadro de uma pandemia", declarou o primeiro-ministro.

De acordo com António Costa, perante a Covid-19, as condições de trabalho exigem agora o uso de máscara, distanciamento social e acesso a constantes produtos de desinfeção.

"Mas é muito importante este sinal de confiança de que é possível regressar ao trabalho em segurança. Quero felicitar a Autoeuropa", declarou o líder do executivo, tendo perto de si o diretor-geral da fábrica, Miguel Sanches.

"Cá estaremos todos", afirma Marcelo depois de Costa sugerir que será reeleito

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ouviu o primeiro-ministro, António Costa, sugerir que será reeleito nas presidenciais de 2021, e em seguida afirmou: "Cá estaremos todos".

Nós vamos ultrapassar esta pandemia e os efeitos económicos e sociais este ano, no ano que vem, nos anos próximos. E eu cá estarei, e cá estaremos todos, porque isto é um espírito de equipa que se formou e que nada vai quebrar. Cá estaremos este ano e nos próximos anos a construir um Portugal melhor", declarou o chefe de Estado, com António Costa perto de si.

Marcelo Rebelo de Sousa falava no final de uma visita com o primeiro-ministro à Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, no distrito de Setúbal, depois de ouvir António Costa remeter uma nova visita conjunta a esta fábrica para "o primeiro ano do próximo mandato do senhor Presidente da República", sugerindo que irá recandidatar-se e será reeleito.

Interrogado se a atual situação do país e do mundo fez alterar o seu processo de decisão quanto a uma eventual recandidatura, o Presidente da República considerou que "o que se passa no mundo, o que se passa na Europa e o que se passa em Portugal exige que as pessoas saibam sacrificar os seus interesses pessoais fazendo passar à frente o interesse coletivo".

No entanto, referiu que "não queria aprofundar essa matéria" neste momento.

Questionado pela comunicação social sobre uma recandidatura, o Presidente da República respondeu: "A vontade de todos nós é estarmos cá e fazermos o que temos de fazer para que aquilo que é o exemplo da Autoeuropa, foi em 2016 e é hoje, seja em 2021, 2022, 2023 e por aí adiante".

Ressalvando que ninguém se pode "substituir à vontade do povo português", acrescentou: "Neste momento o que importa é a vontade de trabalharmos em conjunto. E este exemplo da vinda à Autoeuropa é um de muitos exemplos de todos os dias desse trabalho em conjunto".

Eleito nas presidenciais de 24 de janeiro de 2016 e em funções desde 09 de março desse ano, Marcelo Rebelo de Sousa entrou no seu último ano de mandato com a recandidatura em aberto e entretanto tinha remetido uma decisão "lá para novembro".

Governo vai adquirir um automóvel em cada uma das quatro indústrias instaladas em Portugal

O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que a Presidência do Conselho de Ministros irá em breve adquirir um automóvel em cada uma das quatro unidades que produzem de raiz veículos em Portugal, dando um sinal de confiança nesta indústria.

António Costa anunciou esta compra simbólica por parte do seu Governo no final de uma visita de hora e meia à Autoeuropa, em que esteve o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e que se destinou a acompanhar a forma como esta fábrica está a retomar a produção no atual quadro de pandemia de covid-19.

Retribuindo o sinal de confiança que a indústria automóvel demonstrou no país, também gostaríamos de dar um sinal de confiança naquilo que é o futuro da indústria automóvel em Portugal. Por isso, nas próximas semanas, a Presidência do Conselho de Ministros irá proceder à aquisição de uma viatura em cada uma das quatro unidades industriais que em Portugal produzem de raiz automóveis", declarou António Costa.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro destacou a importância da fileira automóvel para a economia nacional, dizendo que, entre fornecedores e produtores, representa "uma parte importante do Produto Interno Bruto (PIB) nacional".

"Este é talvez dos ramos industriais em que se torna mais evidente a dependência das cadeias de valor e de fornecimento, mas também a necessidade de haver uma retoma da economia à escala global", defendeu.

/ publicado por Rafaela Laja