O primeiro-ministro manifestou esta segunda-feira "total solidariedade" com o "grande cidadão" e jogador do FC Porto Marega, que no domingo foi vítima de insultos racistas, e salientou que todos os atos de racismo são crime e intoleráveis.

Todos e quaisquer atos de racismo são crime e intoleráveis. Nenhum ser humano deve ser sujeito a esta humilhação. Ninguém pode ficar indiferente. Condeno todos e quaisquer atos de racismo, em quaisquer circunstâncias", escreveu António Costa na sua conta pessoal na rede social Twitter.

 

Em relação ao avançado maliano do FC Porto, o primeiro-ministro manifestou-lhe "total solidariedade", considerando que Marega provou no campo de jogo "ser não só um grande jogador, mas também um grande cidadão".

Em declarações aos jornalistas, à entrada para uma reunião da Comissão Permanente de Concertação Social, António Costa disse esperar que "as autoridades ajam como lhes compete" para impedir que situações como esta voltem a acontecer.

Todos temos que expressar a solidariedade com ele, repúdio total por este tipo de comportamento e espero que sirva de exemplo para que não se repita em mais nenhum estádio e que agora as autoridades ajam como lhes compete de forma a impedir que nunca mais isto aconteça", afirmou.

Marega "provou duplamente a sua capacidade".

Primeiro desportivamente, marcando o golo que colocou o Porto a um ponto da liderança, mas sobretudo como cidadão, explicando que há limites para tudo e que é inaceitável este tipo de comportamentos nos recintos desportivos", acrescentou.

Sobre o que fazer, o primeiro-ministro admitiu duas vias. Uma, a repressiva, que "é aquela que está já desencadeada tendo em vista identificar quem são os responsáveis, (...) puni-los e aplicar também o novo quadro legal que já foi aprovado há um ano e que permite endurecer quer a punição dos agentes quer dos clubes relativamente a práticas de violência quer a práticas de racismo", disse.

Há depois um trabalho de fundo que é de toda a sociedade que é promover aquilo que são os valores da defesa da dignidade da pessoa humana e compreender que o racismo é talvez uma das formas mais brutais de expressão de violação de dignidade da pessoa humana", acrescentou.

João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e Desporto, também veio a público lamentar o incidente.

O que aconteceu esta noite no jogo entre Vitória Sport Clube e FC Porto é absolutamente intolerável é inaceitável". 

Marcelo: "O caminho do racismo, da xenofobia, e da discriminação representa a violação da dignidade"

O Presidente da República também condenou os insultos racistas de que o jogador do FC Porto, lembrando que a Constituição da República é muito clara na condenação do racismo, xenofobia e discriminação.

A Constituição da República Portuguesa é muito clara na condenação do racismo, assim como de outras formas de xenofobia e discriminação, e o povo português sabe, até por experiência histórica, que o caminho do racismo, da xenofobia, e da discriminação, além de representar a violação da dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais, é um caminho dramático em termos de cultura, civilização e de paz social”, considerou Marcelo Rebelo de Sousa, numa declaração à agência Lusa.

Na declaração à Lusa, o Presidente da República sublinhou que só pode “condenar, como sempre, veementemente, todas as manifestações racistas, quaisquer que sejam”.

Marcelo Rebelo de Sousa apelou ainda “à ética, ao sentido cívico e ao bom senso, para que se evitem em Portugal escaladas que violem valores básicos da nossa comunidade e só possam contribuir para a divisão fratricida entre os portugueses”.

O Presidente da República falava à Lusa no Dubai, no regresso a Lisboa da visita que fez à Índia.

Ferro exige repressão dos criminosos nos estádios

O presidente da Assembleia da República condenou esta segunda-feira "com indignação" os insultos racistas a Marega e exigiu medidas de prevenção e de repressão contra criminosos nos estádios.

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, condena com indignação os ataques racistas de que foi vítima ontem [domingo] em Guimarães o jogador do Futebol Clube do Porto Marega. As autoridades do Estado, a Federação Portuguesa de Futebol e os clubes têm de, em conjunto, tomar medidas de prevenção e repressão dos criminosos que se introduzem nas claques e nos estádios", salienta-se na nota da Assembleia da República enviada à agência Lusa.

O avançado Marega pediu para ser substituído, ao minuto 71 do jogo da 21.ª jornada da I Liga, entre o FC Porto e o Vitória de Guimarães, por ter ouvido cânticos e gritos racistas de adeptos da formação vimaranense, numa altura em que os 'dragões' venciam por 2-1, resultado com que terminaria o encontro.

Jogadores do FC Porto e também do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo.

/ CE - Notícia atualizada às 11:57