António Costa foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa entre 2007 e 2015. Mas o agora primeiro-ministro não tem dúvidas: Fernando Medina é a melhor pessoa a ocupar o cargo neste século.

Foi isso mesmo que o secretário-geral do PS disse num comício de campanha para as eleições autárquicas, que se realizam a 26 de setembro, e nas quais o atual autarca da capital se recandidata.

É porque o Fernando acredita mesmo nas pessoas, porque o Fernando tem uma visão de desenvolvimento da cidade – em que a habitação acessível é central, em que o desenvolvimento da mobilidade suave e sustentável é essencial, em que o apoio aos mais idosos é fundamental, em que a universidade e o empreendedorismo têm um papel central no desenvolvimento da cidade – que o Fernando é o grande presidente da câmara municipal de Lisboa do século XXI”, salientou António Costa.

O secretário-geral do PS falava no Pátio da Galé, em Lisboa, na apresentação pública da Comissão de Honra da candidatura da coligação ‘Mais Lisboa’ (PS/Livre), liderada pelo atual presidente da Câmara Municipal da capital, Fernando Medina.

Num discurso de cerca de 20 minutos, o secretário-geral do PS abordou a presidência da câmara municipal de Lisboa de Jorge Sampaio, que faleceu na sexta-feira passada, e de João Soares, para referir o “trabalho extraordinário” feito por ambos nos anos 90, que conseguiu identificar as “grandes necessidades” e “emergências” que a cidade vivia naquela época, como a "chaga das barracas".

Fazendo a ponte com a situação atual, o secretário-geral do PS apontou que os desafios atuais “são completamente diferentes, mas não são desafios menores”, e referiu que, em Lisboa, “travam-se duas das maiores batalhas estratégica” de Portugal: o combate às alterações climáticas e o desafio demográfico.

Segundo António Costa, o candidato do PS à Câmara de Lisboa assumiu “desde a primeira hora” ambos os desafios como “grande prioridade” da sua candidatura, e destacou o historial de Medina enquanto presidente da Câmara em ambas as áreas.

“Lisboa não foi a capital verde da Europa em 2020 por acaso. Foi (…) graças ao trabalho extraordinário que (…) Fernando Medina e a sua equipa desenvolveram, em particular para assumir a mobilidade urbana, o transporte público, a mobilidade suave, como elemento fundamental da vida social do futuro”, salientou.

No mesmo sentido, o secretário-geral do PS referiu que Medina foi o primeiro presidente de câmara a conseguir “ter o controlo dos transportes públicos na cidade de Lisboa”, tendo comprovado, através do passe único, que “os transportes públicos confiados à Câmara Municipal funcionam muito melhor e respondem muito melhor do que quando não eram confiados à Câmara Municipal”.

E é por isso que temos de continuar a investir em conjunto. (…) Já está em curso a obra para fazer a linha circular que vai ser fundamental para melhorar o desempenho e a eficiência do metro na cidade de Lisboa. Mas no PRR (…) está também prevista a criação de uma nova linha para a extensão de uma vez por todas da linha vermelha até à zona ocidental da cidade”, anunciou.

No que se refere ao desafio demográfico, António Costa referiu que se trata de uma área que diz respeito tanto aos mais idosos, como à necessidade de “rejuvenescimento da cidade” de Lisboa.

Em ambos os casos, o secretário-geral do PS indicou que Medina está a mostrar progressos: além de referir que o programa de desenvolvimento da rede de cuidados continuados em Lisboa “está a andar, vai continuar a andar, e vai ser concluída para a proteção” dos idosos, António Cota adiantou também que, no que se refere aos jovens, o programa que está hoje em curso de rendimento acessível “não tem comparação com o que esteja em curso em mais nenhum outro município do país”.

O secretário-geral afirmou ainda que “rejuvenescer a cidade não é só um objetivo estatístico”, mas também “ter uma visão do que é o futuro da cidade”, e indicou a estratégica demográfica de rejuvenescimento da cidade casa com a “estratégia de fazer de Lisboa a grande cidade universitária da Europa” e o “maior ecossistema de empreendedorismo, de ‘start-ups’, de novas empresas”, que possam “dinamizar e criar emprego de melhor qualidade”.

“Porque é isso que tem permitido atrair para Lisboa já grande parte do investimento direto estrangeiro que aqui tem vindo a instalar-se no nosso país, porque encontra nesta cidade os recursos humanos altamente qualificados que lhes permite desenvolverem-se”, apontou.

António Costa – que também foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa entre 2007 e 2015 – concluiu referindo ser uma “agradável surpresa” verificar que o seu sucessor conseguiu fazer de Lisboa “uma cidade ainda mais bonita”.

E é continuar Fernando, porque é sempre possível fazer mais, fazer melhor. Há sempre Intendentes à espera de ti, há novos espaços públicos para recuperar”, terminou.

Medina define prioridades

O candidato do PS/Livre à presidência da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, destacou a habitação, as alterações climáticas e a coesão como os principais desafios da cidade, que pretende que seja aberta, tolerante e para todos.

O atual presidente da Câmara de Lisboa aproveitou para criticar os adversários que acham que “quem tem dinheiro compra mais caro, quem não tem dinheiro compra mais barato” ou até mesmo que “vá morar para outro sítio que não Lisboa”.

“A nossa visão é perfeitamente oposta a esta. A habitação digna é um direito de cidadania. A habitação digna é um direito de todos. É uma conquista do 25 de Abril”, afirmou, acrescentando que o agradecimento aos profissionais que fazem parte da classe média “não fica completo” se não for assegurada “habitação digna”.

Relativamente à promessa falhada de atribuir, no atual mandato, seis mil casas de renda acessível, Fernando Medina reconheceu-a, mas atirou aos críticos: “Se fossem eles a fazer, nunca teriam imaginado [o programa de renda acessível]”.

É verdade, gostaria sempre de ir mais rápido, de ir mais depressa, mas a qualidade fundamental de um político é a resiliência. E nós vamos conseguir porque temos essa determinação”, sublinhou.

Em segundo lugar, referiu, é necessário enfrentar o desafio das alterações climáticas que são, “como muitos têm sublinhado, um teste para os seres humanos” e vão provocar “impactos profundíssimos” nos próximos anos.

A construção de silos automóveis à entrada de Lisboa, como alguns dos adversários têm defendido, “é um pouco incapaz de resolver o problema”, considerou.

“A solução é construir um sistema integrado de mobilidade pesada”, defendeu.

O candidato do PS/Livre terminou o discurso com o desafio da inclusão, enfatizando a situação das pessoas idosas.

Para Fernando Medina, a resposta necessária para quem atinge a idade da reforma é “assegurar as condições de continuarem a contribuir para a sociedade, querendo”, de continuarem nas suas casas, querendo, “em autonomia e em segurança”.

Nós temos que virar a página de que as respostas aos mais velhos é a institucionalização precoce num lar ou em qualquer outro sítio”, disse.

Referindo-se a discursos xenófobos, Fernando Medina notou ainda: “Lisboa é uma cidade aberta, é uma cidade tolerante, é uma cidade onde todos, independentemente da sua origem, […] têm direito a construir aqui o seu futuro”.

O candidato reconheceu também que a prosperidade económica que o país vivia antes da pandemia de covid-19 deu origem a “novas desigualdades”, nomeadamente em termos de igualdade e coesão.

Além de Fernando Medina (PS/Livre) concorrem à Câmara Municipal de Lisboa Carlos Moedas (coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), Beatriz Gomes Dias (BE), João Ferreira (PCP), Manuela Gonzaga (PAN), Bruno Horta Soares (IL), Tiago Matos Gomes (Volt Portugal), Nuno Graciano (Chega), João Patrocínio (Ergue-te), Bruno Fialho (PDR), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!) e Ossanda Liber (movimento Somos Todos Lisboa).

António Guimarães / com Lusa