O secretário-geral do PS, António Costa, garantiu, este sábado, à chegada ao congresso, que a questão da sua sucessão “não existe neste momento”.

“Essa questão não existe, porque acabo de ser reeleito e vou cumprir o mandato, que vai até 2023. Cá estou agora e em 2023 também estarei”

Para Costa, o congresso deste fim de semana será um “momento de unidade”, que não retirará a pluralidade ao PS.

Questionado várias vezes pelos jornalistas sobre o tema da sucessão, o secretário-geral afirmou que se orgulha de "ter assegurado a unidade" dos socialistas.

"Se há coisa de que eu me orgulho no PS é de, quando fui eleito em 2014, numas eleições primárias muito disputadas, ter assegurado a unidade do PS a partir daí. O José Luís Carneiro, por exemplo, na altura não me apoiou e é agora secretário-geral adjunto."

Sobre se gostaria de ouvir o ministro das Infraestruturas e um dos nomes apontados à sua sucessão, Pedro Nuno Santos, neste congresso, António Costa respondeu: "É sempre um gosto".

Questionado sobre a presença na Mesa do Congresso dos quatro dirigentes apontados como seus possíveis sucessores, Costa considerou "natural que aquilo que têm sido os rostos do PS nestes últimos anos em vários combates decisivos estejam presentes na Mesa do Congresso".

Relativamente às relações com os partidos à esquerda do PS, com os quais está a haver negociações sobre o Orçamento do Estado para 2022, António Costa sustentou que não é necessário dar-lhes neste congresso qualquer sinal.

"O PS fez em 2014 uma opção estratégica que nunca mais pôs em causa", assumindo-se como "o partido que procura unir a esquerda como uma alternativa àquilo que foi a política de austeridade da direita", declarou.

Segundo António Costa, neste momento, o PS está focado em "enfrentar a pandemia" de covid-19, em "relançar a economia" e em "voltar a competir com a União Europeia".

"E, sobretudo, em aproveitar esta oportunidade extraordinária de transformação da nossa sociedade, do nosso país que os novos recursos proporcionam. É nisso que estamos focados e, portanto, é natural que o PS esteja unido, mobilizado e cheio de energia para este combate", completou.

Por outro lado, apontou este congresso como um momento de "grande arranque" para as eleições autárquicas de 26 de setembro, em que o PS ambiciona manter-se como "o maior partido autárquico".

Números finais da reeleição

António Costa foi reeleito secretário-geral do PS com 21.888 votos expressos, representando 94% do total de votantes, com Daniel Adrião a reunir 1.430, dados anunciados hoje no Congresso do partido.

Costa foi reeleito em junho passado secretário-geral do PS, e eram já conhecidos alguns dados provisórios, mas o número exato de votos que cada candidato às diretas obteve foram apenas anunciados este sábado.

Os resultados foram anunciados logo no início dos trabalhos pelo presidente da Comissão Organizadora do Congresso e líder da Federação do Algarve, Luís Graça, que adiantou que participaram no ato eleitoral 23.952 militantes.

António Costa foi eleito com 21.888 votos, o que correponde a 94% dos votos expressos. Já Daniel Adrião, dirigente da tendência minoritária dos socialistas, obteve 1.430 votos, o correspondente a 6% da totalidade dos votos.

Catarina Pereira / com Lusa