António Costa, acompanhado pelo ministro da Educação, salientou esta quarta-feira a importância que as escolas tiveram na vida dos alunos durante a pandemia, nomeadamente na alimentação dos jovens mais carenciados, e reforçou a necessidade de "fazer um esforço acrescido para que uma das marcas que o covid deixou não perdure na nossa sociedade".

Temos a consciência de que a interrupção do ensino presencial aumentou as desigualdades, perturbou o desenvolvimento e o processo de aprendizagem normal das crianças, essa é uma marca que não pode ficar para a vida e temos de conseguir recuperar", avisou, explicando que o Programa de Recuperação de Aprendizagens, que entrará em vigor este ano, exige "um esforço de todos para não deixarmos ninguém para trás".

O objetivo, traça Costa, é que, no final do próximo ano letivo o país possa dizer que, não só a pandemia está no passado, como também "tudo aquilo que perturbou" as aprendizagens está "ultrapassado".

"Sei que é um esforço, mas podem contar com todo o apoio do Ministério da Educação, quer no reforço dos recursos, quer dos materiais pedagógicos, quer das técnicas. Aliás, é uma grande oportunidade para demonstrar todo o potencial de uma das mais importantes reformas que tem marcado a escola nos últimos anos", anunciou.

António Costa salientou ainda que, neste novo ano letivo, existiu um "reforço da autonomia e da flexibilidade". "Não podemos ter um ensino pronto-a-vestir, mas à medida das necessidades especificas de cada aluno".

Entre terça e sexta-feira, começa o regresso às escolas que, segundo diretores e professores, será mais complicado do que os anteriores, uma vez que se espera que muitos alunos comecem as aulas sem todos os professores atribuídos.

As escolas nas zonas de Lisboa e Vale do Tejo e do Algarve são as mais afetadas pelas baixas médicas e reformas - este ano já se aposentaram quase 1.600 professores – que fazem com que faltem docentes.

No entanto, quando os alunos chegarem às escolas, o ambiente será semelhante ao do ano passado: Há corredores de circulação, higienização regular das mãos e dos espaços e os alunos continuam a poder estar apenas com os colegas da sua “bolha”.

A partir do 2.º ciclo, a máscara é de uso obrigatório para todos os que atravessam os portões da escola, enquanto para os do 1.º ciclo a sua utilização é apenas recomendada, tal como já acontecia desde meados do passado ano letivo.

Os bares e as máquinas de venda automática poderão ser uma das poucas mudanças visíveis para os alunos, já que passou a ser proibida a venda de alimentos prejudiciais à saúde, como folhados, batatas fritas, refrigerantes, chocolates ou bolas de Berlim.

As cantinas das escolas começam esta semana a ser alvo de ações de fiscalização para garantir a qualidade das refeições fornecidas aos alunos, revelou o ministro da Educação, anunciando um novo plano de controlo de qualidade. 

Nas salas de aula, outra das novidades será o arranque do Plano 21/23 Escola +, que tem como objetivo que os alunos consigam recuperar as aprendizagens perdidas durante os confinamentos forçados pela pandemia de covid-19.