O primeiro-ministro recusou-se esta segunda-feira a antecipar o processo de nomeação do governador do Banco de Portugal, alegando que isso deslegitimaria Carlos Costa, mas assegurou que antes da escolha vai consultar os partidos e o Presidente da República.

Estas posições foram transmitidas por António Costa em entrevista à TSF, após uma série de perguntas se o ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno, será por si escolhido para o cargo de governador do Banco de Portugal, sucedendo a Carlos Costa, cujo mandato termina em julho.

No momento próprio essa questão será tratada, terei de falar com o senhor governador e ainda estamos bastante longe desse momento. Não se deve deslegitimar o governador do Banco de Portugal enquanto ele estiver em funções", alegou o líder do executivo.

Questionado se vai manter a prática de discutir o perfil do próximo governador do Banco de Portugal com o maior partido da oposição, o PSD, António Costa corrigiu a pergunta.

Infelizmente não é manter a prática. Não farei aquilo que o anterior primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] fez quando eu era líder da oposição, que foi telefonar-me às 07:00 para dizer que, nesse dia, o Conselho de Ministros ia renovar o mandato do atual governador. Transmiti qual a posição do PS e a resposta que obtive foi que essa era uma decisão do Governo, que não tinha de ouvir a oposição", contou.

António Costa prometeu depois que seguirá agora um processo diferente em relação à designação do novo governador do Banco de Portugal.

Antes de o Governo designar um novo governador do Banco de Portugal, consultarei naturalmente os partidos representados na Assembleia da República, ouvirei também o senhor Presidente da República e as instituições que devem ser ouvidas pelo Governo", declarou.

Questionado sobre a oposição que já terá sido manifestada pelo PSD em relação a uma escolha de Mário Centeno para o cargo de governador do Banco de Portugal, António Costa respondeu: "Se o critério é saber pela comunicação social, então já soube duas coisas".

Já li que o PSD entende dizer uma coisa e já li que o PSD dizia outra coisa. Já me habituei a não ouvir os outros através da comunicação social, mas, tendo essa possibilidade, a ouvi-los diretamente e no momento próprio", acrescentou.

Questionado se admite prolongar por dois meses o mandato do atual governador do Banco de Portugal, o primeiro-ministro admitiu essa hipótese apenas se for necessária.

Mas, se não foi necessária, então não. É sempre assim", frisou.

/ AG