O primeiro-ministro manifestou-se esta segunda-feira confiante numa solução para a regularização das dívidas de entidades públicas angolanas a empresas portuguesas e considerou "completamente ultrapassado" o caso judicial ‘irritante' que envolveu o antigo vice-presidente de Angola Manuel Vicente.

António Costa falava no final de um passeio pela Baia de Luanda, antes de visitar o Navio Oceânico Viana do Castelo, tendo ao seu lado o ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Domingos.

Interrogado se a questão das dívidas angolanas a empresas portuguesas representava um novo caso ‘irritante’ entre os dois países, o líder do executivo português recusou essa perspetiva e procurou apresentar uma explicação para o problema.

Tal como em Portugal, quando sofreu uma crise grande, muitas empresas portuguesas encontraram aqui, em Angola, uma oportunidade de trabalho, não podemos também ignorar que a queda do preço do petróleo teve impacto na economia angolana. Ora, os amigos resolvem com amizade as questões que se colocam", respondeu.

Para António Costa, a questão das dívidas a empresas portuguesas, cujo volume mínimo se estima entre 400 e 500 milhões de euros, "é seguramente um problema que as empresas portuguesas irão ver resolvido".

Esse problema teve impacto em muitas empresas, mas tem vindo a ser feito um trabalho de certificação e, seguramente, serão encontrados bons caminhos. Os problemas das empresas, alguns deles problemas privados, irão seguramente encontrar boa solução", insistiu.

O primeiro-ministro afirmou ainda que há uma "enorme ponte" de segurança entre Portugal e Angola e que os portugueses e angolanos superaram os testes das crises económicas da última década, nunca virando as costas uns aos outros.

Muitos de vós vieram para Angola nos últimos dez anos e não foram imunes às consequências da baixa do petróleo que atingiu a economia angolana. Mas há algo que estes últimos dez anos ensinaram: a existência desta grande ponte entre Portugal e Angola é uma enorme segurança para todos nós, porque todos sabemos que há sempre um porto de abrigo, há sempre um novo espaço de oportunidades, novas condições para a construção da esperança", defendeu.

Na opinião de António Costa, todas "as relações são testadas nos momentos difíceis".

Ao longo dos últimos dez anos passámos o teste. Em todos os momentos difíceis que Portugal passou, Angola não nos virou as costas. E em todos os momentos difíceis de Angola, vocês [comunidade portuguesa] não viraram as costas a Angola", frisou o primeiro-ministro.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro deixou também um apelo para que se amplie as áreas de cooperação entre os dois países.

Todos já ouvimos falar sobre os laços seculares entre Portugal e Angola. Agora, é responsabilidade da nossa geração a história que vai ser contada daqui a 20, 50 ou cem anos", advertiu.

De acordo com António Costa, portugueses e angolanos "necessitam uns dos outros neste mundo globalizado, sobretudo num momento em que os continentes europeu e africano percebem que têm um enorme desafio pela frente no seu relacionamento".

Portugal e Angola têm o estrito dever de pôr ao serviço deste desígnio as suas capacidades", acrescentou.

Operação Fizz

O primeiro-ministro disse mesmo que tem encontrado da parte das autoridades angolanas "grande preocupação, interesse e motivação para que essas questões sejam ultrapassadas".

Já quando foi questionado se o caso do processo judicial ‘irritante’, com Manuel Vicente, que chegou a ser a constituído arguido por parte das autoridades judiciárias nacionais no âmbito da ‘Operação Fizz’, estava completamente resolvido para as duas partes, a portuguesa e a angolana, António Costa respondeu de forma afirmativa.

Esse caso ‘irritante’ está completamente ultrapassado. Tivemos sempre a oportunidade de deixar claro que as nossas relações políticas eram excelentes, que as relações económicas eram boas e que havia um pequeno irritante que estava a complicar. Uma vez ultrapassado esse caso, tudo está bem", sustentou.

António Costa fez depois mesmo questão de frisar que esse caso do processo judicial com Manuel Vicente "foi verdadeiramente um ‘irritante’ para ambos os países e na mesma proporção".

Por isso, a sua resolução mereceu idêntica congratulação por parte dos dois governos", acrescentou, durante um descontraído passeio a pé de 40 minutos pela Baia de Luanda.

Durante o passeio, António Costa considerou que a remodelação da Baia de Luanda traduz os progressos em termos de renovação urbana introduzidos na capital angolana nos últimos anos.

Dar este passeio é fabuloso", comentou o primeiro-ministro ao ouvido do titular da pasta das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto.