António Costa afirmou que o problema do grande número de novos casos de Covid-19 que se tem registado na região de Lisboa e Vale do Tejo "está centrado em cinco concelhos mais populosos" e não está relacionado com bairros, mas com a atividade profissional. Este foi um dos temas abordados numa grande entrevista ao primeiro-ministro, esta quinta-feira, conduzida por Sérgio Figueiredo e José Alberto Carvalho, no Jornal das 8 da TVI. Costa rejeitou a colocação de cercas sanitárias.

Não precisamos de cercas nem de grandes medidas de contenção, precisamos de grande disciplina individual." 

O chefe do Executivo socialista começou por lembrar que "o grosso do problema está centrado em cinco concelhos mais populosos".

Não é um problema de Lisboa e Vale do Tejo. Santarém e Oeste não tem nada a ver com isto. (...) São cinco concelhos mais populosos: Lisboa, Loures, Sintra, Amadora, Odivelas."

"O problema é generalizado? Não, está relativamente localizado", continuou o primeiro-ministro.

Costa notou ainda que os surtos estão relacionados "com o tipo de atividade que as pessoas desenvolvem", afetando sobretudo a área da construção civil e empresas de trabalho temporário, "que circulam bastante e têm uma grande interação entre si". 

O problema não tem a ver com bairros, mas com a atividade profissional."

Por isso, rejeitou a ideia da colocação de cercas sanitárias, defendendo que é preciso um "grande disciplina individual", nomeadamente na "lavagem das mãos" e nos casos identificados como positivos impôr de imediato o confinamento domiciliário.

O primeiro-ministro não coloca a hipótese de proibições de deslocações na região na próxima semana (por causa dos dois feriados) e estima que o levantamento das restrições aconteça mesmo no dia 15 de junho.

Costa frisou que, no que toca ao aumento de casos de contágio, "um dos fatores de maior risco neste momento são as raves, as Covid parties, as festas particulares".

Reconhecendo que "ter jovens e mantê-los confinados deve ser difícil", salientou que "essa atividade tem inevitavelmente consequências".

Os mais jovens têm a sensação de que têm menos riscos de serem contaminados".

 

O primeiro-ministro ainda elogiou a decisão do Presidente da República de assinalar o 10 de Junho "com enorme sobriedade", considerando que é um sinal de respeito pelos cidadãos no momento "particularmente emotivo" que o país atravessa.

No início da entrevista, Costa começou por dizer que "não há plano" que salve o país da "dor" provocada pela pandemia de Covid-19 e que esta crise económica e social "está a doer e vai doer". Mas agora, é preciso "estancar a hemorragia".

O primeiro-ministro lembrou que "em dois meses aumentaram em 100.000 o número de desempregados em Portugal" e que, agora, é importante fazer um "esforço de estabilização dos rendimentos" e "procurar manter as empresas vivas".

Sofia Santana / atualizada às 23:17