António Costa expressou, depois do segundo encontro com o Presidente da República esta semana, as suas felicitações por causa do acordo entre a Fectrans e a ANTRAM e por outro sindicato ter levantado a greve. Garantiu ainda ter esperanças que a Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas chegue também a acordo com os patrões esta sexta-feira.

O primeiro-ministro apelou a um "esforço final" para entrar na última quinzena de agosto com o problema resolvido.

O desejo que todos temos é que este esforço final que está a ser feito para permitir levantar a última greve que ainda está em curso e abrir as portas a um diálogo total seja possível e possamos entrar já nesta nova quinzena de agosto sem mais preocupações nesta matéria".

Como "resta um único sindicato que ainda mantém a greve", o desejável para António Costa é que "as reuniões de hoje fossem coroadas de sucesso". "Ainda não foi possível terminar a greve, mas a esperança é a última a morrer", declarou.

E portanto pudéssemos já ir para o fim de semana com este problema ultrapassado, caso contrário iremos continuar a persistir", assegurou.

Costa espera assim que seja também possível com o SNMMP fazer aquilo que todos desejam que é que "esta greve acabe, que a normalidade plena seja possível de ser restabelecida e que as negociações decorram".

Porque tem sido um enorme esforço para o país. Os contribuintes têm suportado um custo muito significativo com o empenho das nossas Forças Armadas e das nossas forças de segurança ao longo de toda a semana neste conflito", avisou.

Ao fim de uma semana em que muitos receavam que "o país fosse parar, o chefe do executivo sublinhou que "o país não parou".

Queria expressar uma palavra de gratidão às Forças Armadas", começou por dizer.

Os portugueses têm mostrado um civismo exemplar nesta greve. Há uma semana todos temíamos que o país parasse e isso não aconteceu".

António Costa garantiu que o Governo se esforçou para "evitar o conflito", mesmo antes deste acontecer, depois, voluntariou-se para mediar o despique, decretando requisição civil só quando se viu que os serviços mínimos não estavam a ser cumpridos.

A nossa atuação tem sido sempre minimalista para evitar que haja perturbações no diálogo . Assegurou-se o direito à greve e criou-se condições para que os sindicatos chegassem a acordo com a ANTRAM".

Recordou ainda que o incumprimento da requisição civil é um crime, mas que, mesmo assim, ninguém foi detido pelas autoridades por não cumprir o que era exigido, ao contrário do que o Sindicato de Motoristas de Matérias Perigosas avançou durante a semana.

O primeiro-ministro esclareceu ainda que não é necessário "mexer na lei da greve".

Alguns quiseram aproveitar esta ocasião para falar sobre mexer na legislação da greve. Mas não é necessário mudar nada sobre o direito à greve".

Para além disso, rejeitou as críticas de estar a favorecer um dos lados da bancada na guerra entre os motoristas e a ANTRAM.

Eu estou do lado do país e dos portugueses", afirmou, respondendo a quem acusa o Governo de "dramatismo".

O líder do Executivo disse também que não vai comentar as declarações de Rui Rio desta sexta-feira, desejando-lhe "boas férias".

Não vou estar a comentar as declarações do doutor Rui Rio. O doutor Rui Rio fez a opção de estar ausente, de usar o seu legítimo direito a férias e porventura não terá acompanhado com a devida atenção tudo aquilo que o Governo tem feito ao longo destas semanas para procurar evitar o conflito, para procurar prevenir o conflito, mas sobretudo assegurar o normal funcionamento do país e os direitos dos portugueses", declarou o primeiro-ministro.

Costa sublinhou que o seu único objetivo é que a greve termine e que seja devolvida "a tranquilidade" aos portugueses.

Segundo comunicado do Minstério do Ambiente, ao longo do dia de hoje, 16 de agosto, a requisição civil foi cumprida e os serviços mínimos superados.

"A título de exemplo, das 143 cargas previstas em Leça de Palmeira, foram cumpridas 184 (129%) em Sines, das 40 cargas previstas foram cumpridas 46 (115%) e em Aveiras, das 196 cargas previstas, foram cumpridas 203 (111%)", refere o documento.

Para além disto, as Forças de Segurança e as Forças Armadas só foram pontualmente solicitadas "para conduzir as viaturas de transporte carburante".

"A rede REPA apresenta, às 18h00 horas desta sexta-feira os seguintes níveis de preenchimento de stocks: gasóleo 57.71 %; gasolina 50.70 %".