O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta quarta-feira que é preciso “evitar acrescentar crise à crise” e recusou “respostas de austeridade” face à pandemia de Covid-19.

António Costa, que respondia a perguntas do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, no debate quinzenal, na Assembleia da República, disse que o Governo tem “um caminho” do qual não irá “arredar pé”.  

É preciso ter consciência de que esta crise não se pode resolver com respostas de austeridade. O que temos feito visa manter vivas as empresas, os postos de trabalho e o rendimento dos trabalhadores. Temos de evitar acrescentar crise à crise”, afirmou.

E acrescentou que “a prioridade” é manter o rendimento dos trabalhadores e as empresas que os sustentam.

Esse será o nosso caminho, daqui não iremos arredar pé”, disse o chefe do Governo.

Governo quer anunciar data de regresso às aulas a 30 de abril

O primeiro-ministro acrescentou que o Governo espera anunciar no próximo dia 30 a data para o regresso às aulas presenciais nos 11º e 12º anos de escolaridade, depois de receber novamente os partidos com representação parlamentar.

Este calendário foi transmitido por António Costa no Parlamento, durante o debate quinzenal, depois de interpelado pelo dirigente socialista Porfírio Silva sobre a educação em Portugal no terceiro período do corrente ano letivo.

O líder do executivo referiu que, no próximo dia 28, haverá nova reunião entre responsáveis políticos e parceiros sociais com os epidemiologistas, no Infarmed, onde se fará o ponto de situação do novo coronavírus em Portugal.

Queremos ter a segurança para, no Conselho de Ministros de dia 30 podermos tomar decisões sobre o calendário de reabertura das aulas presenciais para os alunos. No dia 29, vou convidar todos os partidos para uma nova ronda de audições sobre o calendário de reabertura, numa estratégia de desconfinamento gradual e progressivo, na qual a componente escola não estará obviamente ausente", disse.,

Ainda nesta questão sobre educação, o primeiro-ministro acentuou a ideia de que a escola, depois da atual crise sanitária, "já nunca mais será a mesma".

Vai ser seguramente uma escola mais digital, onde os recursos digitais vão começar a fazer parte das ferramentas de trabalho do quotidiano entre aluno e professor, ainda que em sala de aula", sustentou.

Na primeira intervenção a cargo da bancada socialista, Porfírio Silva, membro do Secretariado Nacional do PS, elogiou a ação dos professores e educadores, considerando que "têm feito das tripas coração para responder aos seus alunos", e dizendo que as "escolas reinventaram-se e fizeram das suas fraquezas forças".

Percebemos a importância da escola pública. É claro que, nas atuais circunstâncias, ficaram ainda mais evidentes as desigualdades sociais. As medidas tomadas não eliminaram as desigualdades sociais, mas o agravamento das desigualdades teria sido muito pior se as medidas [do Governo] não tivessem sido tomadas. Temos estado a fazer aquilo que é preciso", sustentou Porfírio Silva.

Na resposta, o primeiro-ministro elogiou os professores que estão envolvidos na telescola, dizendo que "não são profissionais de televisão, nem atores de cinema ou de teatro, ou políticos com tarimba de exposição na televisão".

Estão sujeitos à crítica cruel e mesquinha, que as redes sociais a ser pasto. Merecem um agradecimento especial aqueles que estão a tentar levar a escola à casa de todos os que não têm acesso ao computador, ou sem qualidade de rede" de Internet, apontou.

Já o secretário-geral adjunto do PS, na sua intervenção, elogiou a resposta "serena e ponderada do primeiro-ministro e do Governo ao tsunami pandémico".

Essa resposta deu segurança e transmitiu confiança aos cidadãos, às empresas e às suas instituições. Esse esforço vê-se no edifício legislativo erguido nesta crise e ainda mais no exercício de acompanhamento da sua implementação, monitorização e ajustamentos que há que produzir à medida que se conhecem os seus efeitos. A resposta foi firme e imediata de todos os ministérios. O Governo, como um todo coeso, e a administração pública merecem o nosso reconhecimento", defendeu José Luís Carneiro.

O vice-presidente da bancada do PS considerou que o país, em estado de emergência, deu uma "resposta proporcional, adequada no tempo e no espaço", tendo em vista "controlar a expansão da epidemia, minorando os seus impactos nas liberdades individuais e económicas".

/ AG