O primeiro-ministro, António Costa, rejeitou esta quarta-feira “cercas ou qualquer outra medida de caráter discriminatório” devido à pandemia, respondendo à líder do BE que considerou inaceitável um pedido do autarca da Azambuja sobre um bairro.

No debate quinzenal desta quarta-feira, a coordenadora bloquista, Catarina Martins, arrancou a sua intervenção defendendo três áreas de atuação urgentes em relação aos surtos de covid-19 na região de Lisboa, sendo estas as condições de trabalho, de transporte e de habitações.

Para a líder do BE “é inaceitável” que o presidente da Câmara da Azambuja exija uma cerca sanitária a um bairro onde há seis casos de doença numa família, comparando com outros casos, no mesmo concelho, onde só na Sonae Distribuição existem cerca de 180 casos.

Quanto à adoção de cercas ou qualquer medida de caráter discriminatório é absolutamente inaceitável”, respondeu António Costa.

Segundo o primeiro-ministro, “a única coisa que é válida é aquilo que existe na lei e que tem que ser igual para todos”, ou seja, “estão sujeitos ao confinamento obrigatório quem está doente ou quem convive ou esteve próximo de quem está contaminado”.

Seja qual seja a etnia, a nacionalidade, a religião, o que for e não podem ser adotadas medidas diferenciadas nem num sentido nem no outro”, defendeu o líder do executivo.

Na perspetiva do primeiro-ministro, “é evidente que o vírus não atinge todos por igual”, considerando que este “exponencia as diferenças entre todos”.

“E isso justificou que nós a semana passada tenhamos adiado a entrada nesta nova fase de desconfinamento na região de Lisboa e Vale do Tejo”, lembrou.

Segundo António Costa, “tem sido feito um trabalho muito focado para as situações de risco”, como trabalhadores de empresas temporário ou das obras.

Isso tem permitido determinado determinar o universo e a dimensão do problema e a sua localização. É hoje muito claro que a prevalência das situações é em cinco dos 18 concelhos da área metropolitana e qual é a sua caracterização”, referiu.

/ RL