O primeiro-ministro, António Costa, disse esta sexta-feira que o "primeiro dever" dos responsáveis do mundo é preservar o Planeta para as gerações futuras, quando questionado sobre a desvinculação dos Estados Unidos do Acordo Climático de Paris.

É pena o presidente Trump não ter frequentado esta escola e saber o que estes meninos quando saírem da escola já sabem. Aquilo que, infelizmente, muitos responsáveis no mundo não sabem é que temos um planeta cujo primeiro dever é preservá-lo para as gerações futuras", disse António Costa aos jornalistas depois de uma visita à Escola de Ciência Viva de Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) também já reagiu à notícia, considerando que Trump olhou para o dinheiro e não para o futuro do planeta.

Se fosse um banco já estava salvo. E o que Donald Trump decidiu fazer foi olhar para o dinheiro e não olhar para o futuro", realçou a coordenadora do BE, Catarina Martins, falando em conferência de imprensa em Portimão, no primeiro de dois dias de jornadas parlamentares do Bloco no Algarve.

Definindo como "importante" que 195 países tenham reconhecido no Acordo de Paris a necessidade de defender o planeta Terra, a líder bloquista declarou que os ‘lobbys’ das "indústrias extrativas, do petróleo" foram preponderantes na decisão financeira e não com visão para o futuro de Donald Trump.

O presidente norte-americano, Donald Trump, justificou a decisão anunciada na quinta-feira nos jardins da Casa Branca com a desvantagem que o acordo climático representa para os Estados Unidos da América.

Concluído em 12 de dezembro de 2015 na capital francesa, assinado por 195 países e já ratificado por 147, o acordo entrou formalmente em vigor em 4 de novembro de 2016, e visa limitar a subida da temperatura mundial reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa.

Portugal ratificou o acordo de Paris em 30 de setembro de 2016, tornando-se o quinto país da União Europeia a fazê-lo e o 61.º do mundo.

O acordo histórico teve como arquitetos centrais os Estados Unidos, então sob a presidência de Barack Obama, e a China, e a questão dividiu a recente cimeira do G7 na Sicília, com todos os líderes a reafirmarem o seu compromisso em relação ao acordo, com a exceção de Donald Trump.

António Costa escusou-se a tecer mais comentários ou a responder a outras questões, tendo centrado o seu discurso no exemplo da Escola Ciência Viva de Vila Nova da Barquinha, projeto pioneiro de promoção da cultura científica dentro da comunidade escolar, e a descentralização de competências para as autarquias na vertente educativa.