O primeiro-ministro, António Costa, disse manhã que "a situação de maior risco" devido à passagem do furacão Lorenzo nos Açores "está ultrapassada", contabilizando-se 118 ocorrências até às 10:00 de Lisboa.

Segundo as previsões do IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera], o pior, a situação de maior risco, está neste momento ultrapassada”, afirmou em declarações aos jornalistas na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, no concelho de Oeiras (distrito de Lisboa).

António Costa, que tem estado em “contacto permanente” com o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, referiu que pela hora do almoço a situação deverá estar normalizada, embora as condições marítimas se mantenham “bastante alteradas”.

De acordo com o primeiro-ministro, a situação melhorou, mas devido ao vento e à agitação marítima, a navegação e a segurança dos portos estão postas em causa.

No que diz respeito às ocorrências foram registadas 82 (entretanto atualizadas para 118), mas situações mais graves são duas: três habitações inundadas no Faial e danos graves no porto da Lages das Flores. Há também várias zonas em que ainda não foi restabelecida a energia elétrica”, disse.

António Costa salientou que o estado de prontidão dos meios mantém-se e só serão desmobilizados se a situação se alterar.

Agora o mais importante é fazer uma avaliação dos danos. À luz do dia vai ser feita uma avaliação mais rigorosa e vamos tentar perceber se existem quedas de árvores, problemas nas vias e danos em estruturas edificadas. Vamos aguardar pelas próximas horas”, disse.

No entanto, realçou António Costa, “se tudo correr bem, os serviços poderão reabrir na quinta-feira”.

O primeiro-ministro disse também que não foi necessário enviar operacionais (50 operacionais) do continente para os Açores.

Questionado sobre eventuais apoios financeiros por causa dos efeitos do furacão, António Costa disse que os danos ainda não foram contabilizados.

Só o Governo regional dirá se é necessário ativar algum mecanismo. Isso é da competência do Governo regional (…) Nós só estamos como apoio de retaguarda caso seja necessário”, frisou.

Sobre uma eventual deslocação aos Açores, António Costa disse que não se justifica, mas se for necessário irá.

O furacão Lorenzo baixou já para categoria 1, na intensidade prevista pela Proteção Civil açoriana, mas os efeitos ainda se fazem sentir com vento e agitação marítima.

De acordo com o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, o número de ocorrências aumentou, entretanto, para 118, tendo a maior parte sido registada na ilha do Faial.

O número de pessoas desalojadas devido à passagem do furacão Lorenzo subiu para 36.

Foram encerradas 61 estradas em todas as ilhas, com exceção do Corvo e de Santa Maria.

A rajada mais forte registada até ao momento pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) foi de 163 km/h, no Corvo.

Segundo o IPMA dos Açores, o período crítico do furacão "Lorenzo" iria decorrer até às 09:00 da região (10:00 em Lisboa), afetando maioritariamente a ilha das Flores e do Corvo.

Costa pede a Siza Vieira que o represente nos Açores

O primeiro-ministro, António Costa, solicitou hoje ao ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, que o represente na deslocação aos Açores, para analisar os danos provocados pelo furacão "Lorenzo", de acordo com uma nota do seu gabinete.

O primeiro-ministro decidiu solicitar ao ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, que se desloque ao arquipélago [dos Açores], em representação do primeiro-ministro e do Governo da República", pode ler-se numa nota do gabinete de António Costa à comunicação social.

De acordo com o documento, a decisão surge por parte do primeiro-ministro "na sequência da ida, hoje de manhã, à ANEPC [Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil] e tendo em conta a informação e elementos recolhidos e os contactos que tem mantido permanentemente com o Presidente do Governo Regional dos Açores".

Pedro Siza Vieira "deslocar-se-á à Região Autónoma dos Açores para reunir com o Governo Regional, tomar contacto direto, localmente, da situação, analisar os danos provocados pela passagem do “Furacão Lorenzo”, avaliar necessidades de auxílio e preparar resposta efetiva por parte do Governo da República, caso seja solicitada", de acordo com a nota.

"O Governo quer ainda transmitir uma palavra de solidariedade a todos os açorianos, em especial, os residentes nas ilhas mais afetadas", de acordo com a nota, que assegura que "o primeiro-ministro continua a acompanhar, em permanência, o evoluir da situação.