As ministras da Saúde e da Presidência, Marta Temido e Mariana Vieira da Silva, estiveram reunidas nesta quarta-feira com epidemiologistas, para avaliar a evolução da pandemia em Portugal, com vista ao agravamento das medidas de confinamento, nomeadamente o encerramento das escolas.

"Os contributos científicos dos especialistas são fundamentais para perceber e analisar a evolução recente da pandemia, nomeadamente no que respeita à presença da nova estirpe da Covid-19, tendo em atenção possíveis medidas a adotar para inverter o crescimento acelerado da infeção", justificou o Governo, em comunicado.

António Costa, que passou o dia em Bruxelas, reuniu-se à noite com as ministras, depois de regressar a Lisboa, uma reunião que contaria com a presença de mais membros do Governo.

Apesar de estar aqui no Parlamento Europeu, tenho mantido contacto permanente com Portugal para ver a evolução da situação", observou então.

Já esta noite António Costa partilhou uma imagem da reunião, por videoconferência, no seu caso desde São Bento, e que incluiu ainda os ministros da Educação e do Ensino Superior, Tiago Brandão Rodrigues e Manuel Heitor, respetivamente.

Na sua conta no Instagram, o primeiro-ministro acrescentou, ainda, que foi analisada "detalhadamente a relevante informação que os epidemiologistas partilharam hoje com o Governo, designadamente sobre o crescimento da variante britânica do vírus".

Esta quinta-feira reuniremos o Conselho de Ministros, analisaremos todas estas informações e decidiremos em conformidade, com a certeza de que a nossa prioridade é salvar vidas e controlar a pandemia", sublinhou.

 

 

O primeiro-ministro, que falou esta quarta-feira com o Presidente da República sobre o tema, admitiu, ainda em Bruxelas, que pode ser necessário "calibrar" medidas, prometendo "não hesitar em tomar medidas" que sejam "absolutamente necessárias para controlar a pandemia".

Os números de hoje, como é sabido, são particularmente dramáticos e demonstrativos da gravidade da situação que existe no país. Obviamente, também é cedo para tirarmos conclusões finais sobre as medidas que tomámos a semana passada."

Questionado sobre o aumento da pressão para fechar as escolas, António Costa respondeu que o Governo "não pode tomar decisões conforme as pressões", lembrando que "há poucas semanas a pressão era para abrir os restaurantes mais tempo".

Temos de ir tomando as decisões em função daquilo que são as realidades e a dinâmica efetiva".

Costa referiu ainda que as análises que estão a ser feitas no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge "são decisivas" para a análise desta dinâmica, por causa da nova estirpe, vinda do Reino Unido. 

"Se a prevalência dessa estirpe for efetivamente relevante, aí porventura temos mesmo de tomar medidas que não tínhamos contado tomar", disse, referindo-se ao encerramento das escolas, por exemplo.

A TVI teve entretanto acesso a este estudo do INSA e da Unilabs, em que os autores apontam que a prevalência atual desta nova variante em Portugal é de 13,3%, mas, no início de fevereiro, poderá chegar a 60% da população.

Escolas podem encerrar já sexta-feira

O Governo vai decidir esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, o encerramento de todos os estabelecimentos de ensino, do Básico ao Superior, com efeitos a partir de sexta-feira, disse à agência Lusa fonte do executivo.

A informação que o Governo recebeu na quarta-feira, após reunião com epidemiologistas, foi considerada muito relevante e determinante para a decisão, tendo em conta o crescimento da variante britânica do novo coronavírus em Portugal", salientou a mesma fonte.

Com esta medida, o objetivo principal do Governo, "é isolar todo o sistema escolar", já que, "não havendo aulas, evita-se que as pessoas sejam forçadas a sair de casa".

Os pormenores das medidas de agravamento do confinamento geral serão comunicados no final da reunião do Conselho de Ministros.

Joana Reis Catarina Pereira Catarina Machado / Notícia atualizada às 23:37