O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, ironizou com o “choro” e preocupações de António Costa com a precariedade dos jovens, afirmando que tem discursos diferente como líder do PS e como primeiro-ministro.

A crítica foi feita por Jerónimo de Sousa numa sessão pública da CDU, a coligação liderada pelo PCP, em Arraiolos, distrito de Évora, já centrada nas eleições autárquicas, horas depois do discurso de Costa na abertura do congresso do PS, em Portimão, em que falou da precariedade laboral.

Seria de tocar o coração se não soubéssemos que o secretário-geral do PS que disse esta coisa disse totalmente diferente e fez totalmente diferente daquilo que o primeiro-ministro António Costa fez”, afirmou Jerónimo, que improvisou esta parte relativamente ao discurso escrito para a sessão de Arraiolos.

O líder comunista acusou Costa e o Governo PS de terem aprovado uma lei que “não prevê direito nenhum” no chamado período de trabalho experimental.

“E depois vem com este choro que não convence ninguém, particularmente aqueles que são vítimas desta proposta do Partido Socialista em relação à juventude”, disse ainda.

A precariedade laboral foi um dos temas do discurso de abertura de António Costa no 23.º congresso do PS, em Portimão, distrito de Faro.

O secretário-geral do PS, num discurso em que falou das lições da pandemia de covid-19 no último ano e meio, disse que uma delas foi a necessidade de Portugal dar resposta “mais rápida” às vulnerabilidades sociais que ficaram patentes com a crise sanitária e económica, a começar na precariedade laboral em vários setores de atividade.

Além de elogiar o trabalho da autarquia de Arraiolos, Jerónimo de Sousa afirmou que “foi pela ação do PCP que um milhão e novecentos mil pensionistas tiveram aumentos de pensões” nos últimos anos ou que foi possível “assegurar o pagamento dos salários a 100% aos trabalhadores em ‘lay-off’” durante a crise pandémica.

Já em Montemor-o-Novo, onde discursou mais tarde numa sessão pública, o secretário-geral comunista assumiu o “compromisso de continuar a lutar pela concretização em 2022 de aumentos de todas as pensões e reformas” e também exigir “melhores pensões e condições de vida dignas, com mais saúde, mais e melhores equipamentos e serviços de apoio” para os idosos.