António Costa admitiu, esta quinta-feira, em Bruxelas que não gosta da proposta do Governo, que vai ser discutida na Assembleia da República, para tornar obrigatória a utilização de máscara na rua e da aplicação STAYAWAY COVID. O primeiro-ministro referiu, no entanto, que "não podemos estar impávidos a assistir a um aumento crescente dos números".

Se é uma proposta que eu gosto? Não gosto. Não gosto de proibições, mas há uma coisa que eu constato: não podemos estar impávidos a assistir a um aumento crescente dos números", sublinhou.

"Seria irresponsável da minha parte assistir à evolução da pandemia e não agir. (...) Não gosto destas soluções", acrescentou.

Questionado pelos jornalistas se estas não era medidas autoritárias, Costa respondeu que "as medidas só são autoritárias se as pessoas não as fizerem já espontaneamente" e que "odeia ser autoritário", mas "temos de controlar a pandemia".

Odeio ser autoritário, eu não quero ser autoritário, mas temos de controlar esta pandemia e se não controlarmos daqui a umas semanas vamos estar numa situação pior."

O chefe do Governo disse que só há "duas formas de controlar a pandemia": "ou parar as atividades ou alterar os comportamentos". E que em relação à primeira, "paralisar um conjunto de atividades", "hoje sabemos o enorme custo social que isso tem tem".

Costa referiu no enorme custo social para os jovens, "não podemos aceitar voltar a fechar as escolas", para os idosos que "estiveram vários meses sem visitas de familiares", para "o emprego e para a perda de rendimento", para "o esforço que muitos empresários estão a fazer" e falou ainda no respeito que "temos de ter pelo esforço dos profissionais de saúde".

Se não podemos parar, a única alternativa que temos é a nossa responsabilidade individual e a alteração dos nossos comportamentos. Temos de fazer essa alteração", acrescentou.

O primeiro-ministro reconhece que "vamos acumulando cansaço e fadiga" e que "é normal que exista esse cansaço", mas alertou que "as pessoas tem vindo a desvalorizar o risco de contaminação" devido ao facto de o aumento de novos casos incidir sobretudo numa faixa etária onde "a sintomatologia é menos evidente".

A incidência agora é sobre uma faixa etária onde os danos aparentes, a sintomatologia da infeção é menos evidente. A percepção do risco é menor e as pessoas tendem a desvalorizar o risco. Ora, é muito perigoso essa desvalorização do risco porque não tem só a ver com o ser sintomático ou não ser sintomático. Este é um vírus que não conhecemos ainda, a ciência não conhece, ninguém sabe verdadeiramente quais são as consequências futuras desta contaminação. Há quem diga que vai haver sequelas futuras. Não sabemos se sim, se não, portanto não vale a pena desvalorizar o risco."

Costa deixou outro aviso: "ainda não chegámos à fase mais difícil do inverno, em que a epidemia da gripe começa a atingir uma maior pressão".

Nesse sentido, o primeiro-ministro afirmou que é necessário "preservar o essencial", nomeadamente "a capacidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", "assegurar que a atividade letiva não sofre interrupções ou sofre sobressaltos", "ter de evitar adotar medidas que agravem a crise económica".

O chefe do Governo falou ainda sobre o Natal. Costa disse que "não podemos chegar ao Natal com o risco de termos os níveis de contaminação que temos neste momento" e lembrou que "o Presidente da República já chamou a atenção, e bem, que as famílias têm de começar a pensar como se organizam para o Natal".

Costa afirmou que é inimaginável no Natal adotar restrições à circulação como aconteceu na Páscoa

A última coisa que podemos imaginar, é inimaginável, é voltarmos a adotar medidas tão drásticas como as que usamos na Páscoa, de proibir as pessoas de se deslocarem de um concelho para o outro. (...) Sabemos que o Natal é um momento excecional."

Contudo, vincou que as famílias "têm de se organizar todas para terem reuniões mais pequenas, almoçam com uns, jantam com outros".

Sofia Santana / atualizada às 12:05