O primeiro-ministro disse esta sexta-feira que a chanceler alemã "ficou esclarecida” na cimeira europeia que o crescimento da variante Delta em Portugal “não está ligado” à final da Liga dos Campeões, após críticas de Merkel sobre a situação portuguesa.

Eu falei com a senhora Merkel e confirmei a própria interpretação que tinha feito das declarações que ela tinha proferido, não vi propriamente um incómodo ou crítica, vi mais como hipótese. Ela tinha um bocado a ideia que o crescimento da variante Delta poderia estar associado à final da Champions, [mas] verificou pelos números que, tendo a final tido lugar na cidade do Porto e estando dois terços desta variante concentrados na região de Lisboa, era muito difícil estabelecer qualquer tipo de ligação”, afirmou António Costa.

Falando em declarações à imprensa portuguesa em Bruxelas no final de um Conselho Europeu de dois dias, o chefe de Governo assinalou que isto “tem-se visto pela evolução da situação no Porto”.

Felizmente e já passaram muitas semanas e não é possível estabelecer qualquer ligação. A bolha pode não ter funcionado na perfeição, mas assegurou o essencial, que era [conter] os riscos de contaminação nesse evento”, assinalou António Costa.

Em conversas bilaterais durante a cimeira europeia, Angela Merkel “ficou esclarecida, percebeu essa situação e pediu aliás para ver os dados que nós temos sobre as diferentes regiões”, disse.

“Ainda ontem o Reino Unido considerou a Madeira uma região verde, creio que a Irlanda tomou uma posição idêntica e, portanto, os países estão agora a olhar para os valores regionais”, adiantou António Costa.

Na passada terça-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, criticou a falta de regras comuns na UE relativamente às viagens, dando como exemplo a situação de aumento dos contágios em Portugal, que a seu ver “poderia ter sido evitada”.

Já na quarta-feira, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças estimou que a variante Delta do SARS-CoV-2 seja responsável por 90% das novas infeções na Europa até final de agosto e por um aumento nos internamentos e mortes, pedindo avanços rápidos na vacinação na UE.

No que toca à pandemia, os chefes de Governo e de Estado da UE comprometeram-se neste Conselho Europeu a “permanecer vigilantes e coordenados” relativamente à covid-19, nomeadamente devido às variantes, assegurando ainda assim livre circulação no espaço comunitário, de acordo com as conclusões referentes a esta matéria.

Ainda falando aos jornalistas, António Costa disse que o que saiu desta cimeira foi que “há que implementar as regras” de coordenação já existentes, nomeadamente depois de o Conselho ter chegado a acordo em meados deste mês sobre as viagens no espaço comunitário e de países terceiros.

/ RL