O perfil pioneiro do historiador e crítico de arte José-Augusto França, assim como a investigação que desenvolveu sobre a cidade de Lisboa foram destacados este sábado pelo primeiro-ministro, António Costa, em reação à morte do investigador.

Historiador e crítico de arte portuguesa, autor de estudos pioneiros que continuam a ser obras de referência, José-Augusto França dedicou a sua vida à cultura. Era um notável olissipógrafo, que tive o privilégio de conhecer", sintetizou o primeiro-ministro, na sua conta oficial no Twitter, sobre José-Augusto França.
 

O historiador, sociólogo e crítico de arte morreu hoje, aos 98 anos, na casa de saúde de Jarzé, perto da cidade francesa de Angers.

Considerado uma referência na área das artes visuais e da cultura em Portugal, José-Augusto França encontrava-se internado há vários anos nessa unidade de cuidados continuados, após uma operação na sequência da qual sofreu diversos acidentes vasculares cerebrais, e morreu hoje às 13:00 locais (12:00 em Lisboa), segundo a mesma fonte, devendo ser cremado ainda esta semana em França.

Da sua extensa obra, marcada por títulos como "A Arte em Portugal no Século XX" e "O Retrato na Arte Portuguesa", destacam-se os estudos sobre a arte em Portugal nos séculos XIX e XX, as monografias sobre Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros, além de outros volumes de ensaios de interpretação e reflexão histórica, sociológica e estética sobre questões da arte contemporânea.

Nos estudos dedicados a Lisboa destacam-se obras como "Lisboa, História física e moral" e "28 Crónica de um Percurso".

Em 1967, José-Augusto França fez também um levantamento sobre o património artístico, arquitetónico e histórico de Lisboa, que viria a ser reunido nos "Estudos das Zonas ou Unidades Urbanas de Carácter Histórico-Artístico em Lisboa", que a Imprensa Nacional incluiu no seu próximo plano de edição.

Enquanto teórico e divulgador, participou entre 1947 e 1949 nas atividades do Grupo Surrealista de Lisboa, de que fizeram parte, entre outros, Mário Cesariny de Vasconcelos e Alexandre O'Neill, e foi, na década seguinte, um defensor da arte abstrata.

Foi condecorado diversas vezes, como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1991), a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2006) e as medalhas de Honra da Cidade de Lisboa (1992) e de Mérito Cultural (2012).

Diplomado pela École d'Hautes Études de Paris e doutorado pela Sorbonne, foi professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa desde 1974, onde criou os primeiros mestrados de História da Arte do país, e jubilou-se em 1992, tendo recebido das mãos do então Presidente Mário Soares a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, no final da última aula que deu.

Também lecionou na Sociedade Nacional de Belas Artes, presidiu à Academia Nacional de Belas-Artes, foi diretor do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, em Paris, membro do Comité Internacional de História da Arte e presidente de honra da Associação Internacional dos Críticos de Arte.

Nascido em Tomar a 16 de novembro de 1922, doou o seu espólio ao museu da cidade.

Agência Lusa / CE