Portugal volta a ser destaque na imprensa internacional, desta vez nos Estados Unidos, numa reportagem do New York Times, que está na primeira página desta segunda-feira, sobre a forma como Portugal lidou com a austeridade.

A jornalista Liz Alderman analisa a transformação da economia portuguesa nos últimos oito anos, destacando a forma como o Governo de António Costa contrariou a austeridade e devolveu a confiança económica quer a empresas quer aos portugueses.

A reportagem parte do exemplo de uma empresa de azeite que investiu em Portugal e que elogia o comportamento de António Costa e que sublinha que nunca hesitou na hora de investir cá: "Vimos que este era o melhor lugar do mundo para investir."

Portugal desafiou os críticos, escreve a jornalista, e ao contrário da Grécia e Irlanda conseguiu fazer frente ao caminho de austeridade imposto.

O que aconteceu em Portugal mostra que demasiada austeridade aprofunda uma recessão e cria um círculo vicioso. Criamos uma alternativa à austeridade, concentrando-nos em maior crescimento e mais e melhores empregos", disse o primeiro-ministro António Costa em entrevista ao New York Times. 

Na reportagem são salientadas algumas medidas que o atual Governo impôs para inverter o caminho de crise, como o aumento dos salários do setor público, do salário mínimo e das reformas e até o facto de ter restabelecido a quantidade de dias de férias. É dito ainda que os incentivos para estimular os negócios incluíram subsídios ao desenvolvimento, créditos fiscais e financiamento para pequenas e médias empresas.

Costa reduziu o défice orçamental anual para menos de 1% do PIB, em comparação com os 4,4% quando ele assumiu o cargo. O governo está a caminho de alcançar um "superávite" até 2020, um ano antes do previsto, encerrando um quarto de século de défice.

As autoridades europeias admitem que Portugal pode ter encontrado uma resposta melhor à crise e elogiam Mário Centeno, definido como o homem que ajudou a projetar as mudanças e que chegou a presidente do Eurogrupo.

No texto é também destacado trabalho para alterar a motivação dos portugueses, que hoje em dia vivem mais felizes.

João Borges de Assunção, professor da Católica Escola de Negócios e Economia de Lisboa, comenta esta alteração: "A mentalidade do país tornou-se completamente diferente e, de uma perspectiva económica, isso é mais impactante do que a mudança real na política."

Mas o texto não tem só elogios e existe o alerta para as constantes greves que têm decorrido em Portugal, para pressionar o Governo a reverter totalmente a austeridade, aumentar os salários e libertar mais gastos públicos para reduzir a desigualdade.

Costa insiste que o governo deve continuar a cortar no défice para compensar a maior ameaça de Portugal: a enorme dívida, ainda uma das maiores da zona do euro. Os bancos portugueses estão sobrecarregados com maus empréstimos da crise anterior e o país continua vulnerável a qualquer turbulência nos mercados financeiros que possa ser provocada por problemas na vizinha Itália.

"Nós não fomos do lado negro para o lado brilhante da lua", disse o primeiro-ministro. "Ainda há muito a fazer."

"Quando começamos este processo, muitas pessoas disseram que o que queríamos alcançar era impossível. Nós mostramos que existe uma alternativa", sublinhou.

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