O secretário-geral do PS, António Costa, salientou esta quarta-feira, que “no momento mais difícil” e “mais exigente” o SNS provou ter “capacidade de resposta” e criticou “aqueles que, à direita, andaram a dizer que o SNS era um caos”.

“Aqueles que, à direita, durante anos andaram a fazer campanha contra o Serviço Nacional de Saúde [SNS], andaram a dizer que o SNS era um caos, aqueles que à direita, em vários concelhos, prometem pagar seguros de saúde gratuitos - como se através das companhias de seguros é que nós tivéssemos acesso à saúde - a verdade é que, no momento mais difícil, mais exigente, onde foi mesmo necessário provar se tínhamos ou não tínhamos capacidade de resposta, quem provou ter capacidade de resposta foi o SNS”, apontou António Costa.

O secretário-geral do PS falava no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, numa ação de campanha para as autárquicas do dia 26 com o atual presidente e cabeça de lista do partido à Câmara Municipal local, Manuel Machado.

Aproveitando a sua paragem na cidade, António Costa relembrou o fundador do SNS e “grande conimbricense”, António Arnaut, para referir que foram os “valores da solidariedade” e a ideia de que “ninguém pode ser privado de acesso a bens essenciais” que levaram Arnaut a criar o SNS em 1979.

“Se hoje estamos aqui, devemo-lo seguramente à excelência, à competência, à dedicação, ao profissionalismo de todos os profissionais de saúde, mas devemo-lo à forma como estão organizados e trabalham nos estabelecimentos do SNS”, indicou, no dia do Serviço Nacional de Saúde, que se assinala hoje.

Fazendo a ponte com o esforço dos portugueses, António Costa referiu que, durante a pandemia da covid-19, a “resposta esteve na forma em como cada um soube ajudar o seu semelhante” e reforçou que, numa altura em que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) começa a ser executado, é preciso continuar a trabalhar em conjunto.

Referindo-se aos 2.750 milhões de euros do PRR destinados à habitação, António Costa frisou que os municípios são quem está melhor posicionado para executar o plano e salientou que as verbas em questão não são “para ser gastas pelo Governo, são para ser disponibilizados pelo Governo às autarquias locais, para que cada autarquia local possa executar a sua estratégia local de habitação”.

“Não é o Governo que diferencia as autarquias, são as autarquias que se diferenciam, porque há aquelas que apostam em dar resposta às necessidades de habitação das suas populações e aquelas que, infelizmente, têm outras prioridades”, afirmou António Costa, em referência às críticas que tem recebido, nomeadamente do PSD, de estar a “misturar na campanha a função de primeiro-ministro com a de secretário-geral do PS” ao falar dos milhões do PRR.

Abordando as especificidades de Coimbra, António Costa salientou que se trata de uma “cidade universitária por excelência” que tem de estar na “linha da frente” do “grande salto na modernização do tecido económico” de Portugal.

No mesmo âmbito, o secretário-geral do PS defendeu que o PRR deverá também procurar “aumentar o potencial de crescimento” do país através do investimento na “qualificação” e na “inovação”, sendo Coimbra, novamente, uma cidade natural para executar essa dimensão do plano.

No que se refere aos planos para a cidade, António Costa anunciou a criação de uma nova maternidade em Coimbra, um novo sistema de mobilidade através do metro Mondego e mais e maiores investimentos para a universidade e o politécnico local.

O líder dos socialistas reiterou o apelo ao trabalho “de mãos dadas”, entre Estado e autarquias, para conseguir cumprir a “enorme responsabilidade” que o país tem pela frente nos próximos anos.

“Temos a enorme responsabilidade de chegarmos a 2026 e dizermos à Europa, dizermos a nós próprios quando nos olhamos ao espelho, e dizer às novas gerações, ‘nós conseguimos e levámos este país mesmo para a frente e temos hoje um país mais próspero, mais justo, mais dinâmico, mais moderno, que vai fazer das próximas gerações, gerações mais felizes da sua pátria, e Portugal um país mais feliz com as novas gerações'”, concluiu.

Nas eleições de dia 26 concorrem à Câmara de Coimbra o atual presidente Manuel Machado (PS), José Manuel Silva (coligação Juntos por Coimbra), Francisco Queirós (CDU), Gouveia Monteiro (Cidadãos por Coimbra), Filipe Reis (PAN), Inês Talufa (PDR/MPT), Tiago Meireles Ribeiro (Iniciativa Liberal) e Miguel Ângelo Marques (Chega).

Manuel Machado diz que projeto do PS para Coimbra é o único credível

O atual presidente da Câmara de Coimbra e candidato ao terceiro mandato consecutivo disse hoje que o PS é o único partido que apresenta um projeto “credível, coeso e estruturado” às eleições de dia 26.

“Estamos aqui de alma e coração para continuar a valorizar Coimbra, que é o nosso desígnio”, enfatizou o socialista Manuel Machado, num comício no Teatro Académico Gil Vicente.

O candidato, que já presidiu àquela autarquia entre 1990 e 2001, destacou a valorização económica, social e cultural do concelho desde 2013, realçando também a qualidade de vida, o emprego, a saúde, a ação social e o combate à pobreza.

O socialista enumerou também a qualificação dos espaços públicos, recuperação das ruas, das praças, das zonas verdes, das ciclovias e dos percursos pedonais, sistema de mobilidade do Mondego, o reforço dos transportes públicos e “a fantástica candidatura” a Capital Europeia da Cultura de 2027.

Manuel Machado realçou ainda o aumento do emprego e do número de empresas no concelho e o facto de, a partir de 2013, “e segundo o Instituto Nacional de Estatística”, o rendimento bruto declarado dos habitantes de Coimbra não ter parado de crescer até 2019.

“Mesmo com o abrandamento provocado pela pandemia [da covid-19], a tendência estrutural conseguida pela gestão da Câmara gerida pelo PS foi a da subida sustentada do rendimento dos munícipes de todo o concelho”, sublinhou.

O candidato socialista referiu também que o “número médio de desempregados inscritos no IEFP diminuiu gradual e sistematicamente, só vindo a aumentar com a pandemia e ainda assim o valor de 2020 ronda o de 2018, o que indicia que se vem desagravando os problemas do desemprego estrutural em Coimbra”.

“Coimbra e o seu concelho tem hoje alguns dos melhores indicadores nacionais em múltiplos capítulos e ainda ontem [terça-feira] foi publicado um 'ranking' que nos coloca como a terceira melhor cidade para se viver em Portugal”, sustentou.

Agência Lusa / PP