O primeiro-ministro deu esta segunda-feira uma entrevista no Jornal das 8 da TVI, onde falou sobre as negociações para a aprovação do Orçamento do Estado para 2021 e também sobre a atual gestão da pandemia de covid-19. Seguiu-se uma análise com os deputados Cecília Meireles (CDS), Pedro Delgado Alves (PS), Pedro Filipe Soares (Bloco de Esquerda) e o eurodeputado Paulo Rangel (PSD).

Entre as negociações para o Orçamento do Estado uma das maiores polémicas tem que ver com as divergências entre Governo e Bloco de Esquerda. António Costa afirmou que essas diferenças são poucas, mas Pedro Filipe Soares não percebe porque, se asssim o é, não foram ainda resolvidas.

Para o deputado, as medidas do Bloco de Esquerda assentam no "bom senso" pedido pelo chefe do executivo. Nas negociações que decorrem na próxima semana, o partido espera um diálogo real e que se chegue a acordo.

Se as reuniões forem para fazer um teatro creio que nos podemos dispensar desse processo", disse, antes de dizer que, se a pressão aumentou, foi do lado do Governo.

Pedro Filipe Soares fala em falhas no documento que devem "ser colmatadas de alguma forma".

Paulo Rangel fala num "jogo do empurra" que está a ser feito sobretudo entre Governo e Bloco de Esquerda, mas também com o PCP. Referindo-se à entrevista como sendo "atrapalhada", o eurodeputado diz que o primeiro-ministro só esteve bem ao conseguir "encostar" os partidos à esquerda do Partido Socialista.

Acho triste o espetáculo que a esquerda está a dar ao país numa fase destas", afirmou.

Relativamente à entrevista, Paulo Rangel diz que António Costa teve um momento "embaraçoso" na questão sobre o Novo Banco. Para o eurodeputado, o Orçamento do Estado carece de um crescimento sustentado da economia, uma vez que o Governo "está a ceder à esquerda", o que afeta as pequenas e médias empresas.

Este é o calcanhar de Aquiles deste Orçamento", acrescentou.

O político refere que António Costa tem mostrado alguma incoerência, ainda que continue a mostrar habilidade no seu discurso.

A deputada do CDS entende que o primeiro-ministro tenta fugir às questões essenciais, focando-se antes em pontos que podem desviar as atenções do essencial. Cecília Meireles afirma que o Governo e os partidos à esquerda se devem entender, até porque têm sido parceiros nos últimos cinco anos.

A centrista concorda com Paulo Rangel no ponto em que menciona uma falta de apoio do Estado às empresas. Se o lay-off ajudou, a medida seguinte "não funcionou".

Se as empresas fecharem não vai ser possível preservar os postos de trabalho", referiu.

O representante socialista, Pedro Delgado Alves, relembra o contexto social e económico diferente, nomeadamente pela crise provocada pela pandemia de covid-19.

O deputado defende que o Orçamento do Estado deve proteger as pessoas, e reforça a inexistência de um aumento de impostos bem como o investimento público em várias áreas, como é o caso da saúde.

Pedro Delgado Alves reforça que as negociações ainda têm algum tempo para decorrer.

 
António Guimarães