O primeiro-ministro aproveitou esta quarta-feira uma conferência de imprensa na Eslovénia, onde tem estado reunido com outros líderes europeus para a cimeira dos Bálcãs, para comentar as negociações para o Orçamento do Estado 2022 e a relação entre o Governo e o Bloco de Esquerda.

Começando por recordar que o partido coordenado por Catarina Martins no ano passado decidiu não aliar-se ao "esforço" do Governo e "furtou-se a contribuir positivamente para o OE", António Costa salientou que, "felizmente, o Bloco de Esquerda parece estar com uma posição diferente este ano". 

"Até agora, em 2016 foi difícil e conseguimos, em 2017 foi difícil e conseguimos... em todos os anos foi difícil e conseguimos quase sempre. O ano passado, como é sabido, o Bloco de Esquerda entendeu não participar do esforço que era absolutamente essencial naquele momento único de pandemia. Felizmente, o Bloco de Esquerda parece estar com uma posição diferente este ano. Assim espero que seja, e que este ano não tenhamos só o contributo do PCP, do PAN, do PEV e das deputadas não inscritas para a aprovação do Orçamento. Mas, enfim, aí é o BE que tem de falar por si, não posso falar eu pelo Bloco de Esquerda", afirmou.

Costa explicou que cada partido tem as suas prioridades e realçou aquelas que são as do Governo: apostar nas novas gerações, na classe média e na melhoria dos investimentos públicos e dos serviços públicos.

No entanto, interrogado sobre se as prioridades do Governo são capazes de ser integradas com as propostas de partidos como o Bloco de Esquerda, o primeiro-ministro reiterou que "os acordos dependem da forma como conseguimos conjugar todas as prioridades".

Costa sublinhou que este orçamento reflete o caminho "feito desde 2016" na melhoria dos rendimentos das famílias e que este ano mais um passo será dado através das medidas já anunciadas do desagravamento fiscal em sede de IRS, do desdobramento de mais dois escalões e a melhoria do programa IRS Jovem e o Regressar.

Antes de se ter expressado sobre o BE, Costa já tinha feito uma apreciação geral da apresentação das linhas gerais do OE aos partidos, reiterando a mensagem que já tinha exprimido esta terça-feira. "Mantenho-me confiante", disse, reiterando que, desde que a realidade não tenha mudado de forma que desconheça, a sua avaliação é "bem conectada com a realidade".

António Costa confirmou ainda aquilo que já tinha sido avançado por João Oliveira, do PCP e assumiu que o cenário macroeconómico partilhado com os partidos prevê um crescimento do produto interno bruto de 5,5% no próximo ano. Uma previsão que surge a par de uma economia que, embora fragilizada, conseguiu resistir a dois confinamentos.

"Temos vindo a rever em alta as projeções de crescimento da nossa economia, em linha com o Banco de Portugal. Felizmente a nossa economia tem estado a responder melhor do que se esperava. Se isto for o resultado alcançado, significa que vamos conseguir ter uma recuperação económica muito forte já no próximo ano", considerou o primeiro-ministro.

No entanto, assevera, há objetivos eleitorais que foram feitos e que não há como cumpri-los, reconheceu Costa, exemplificando o objetivo que traçou em 2019 de que o Governo PS conseguiria colocar a dívida pública abaixo dos 100%. "Neste momento, esse objetivo não vai ser alcançado".