O secretário-geral do PS destacou esta quarta-feira a disponibilidade do PEV para proceder a apreciações prévias conjuntas em matérias como orçamentos ou moções de censura, embora afastem a assinatura de um documento conjunto de legislatura, como em 2015.

António Costa fez esta análise no final de uma reunião com o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) no âmbito da sua ronda de conversações com as forças parlamentares de esquerda e que se seguiu a idênticos encontros nas sedes do Livre e do PAN.

Desde já ficou indiciada aqui a ideia de mantermos à prática de proceder a apreciações conjuntas prévias em propostas de Orçamento, eventuais moções de censura ou de rejeição de programas de Governo. Isto, além do trabalho que se possa desenvolver em conjunto sobre matérias em que existam possibilidades de convergências", afirmou o secretário-geral do PS, tendo ao seu lado o deputado do PEV José Luís Ferreira.

De acordo com o líder socialista, o PEV definiu um conjunto de prioridades que correspondem também a prioridades do PS, embora possam não ser necessariamente as mesmas medidas".

Mas isso é o trabalho que temos de fazer no dia-a-dia", insistiu António Costa.

Perante os jornalistas, o secretário-geral do PS procurou desdramatizar o facto de o PEV, ao contrário de 2015, não pretender agora repetir a assinatura de uma declaração conjunta com o PS, com orientações políticas para toda a legislatura.

O líder socialista preferiu antes salientar um ponto de consenso: "Registei que o PEV, tal como o PS, faz uma avaliação globalmente positiva daquilo que foi a colaboração conjunta na legislatura anterior".

Nesta reunião, foram identificados pontos que o PEV considera que seriam importantes para dar expressão e continuidade na próxima legislatura", acrescentou.

 

PEV avalia apreciações prévias com PS sobre OE, programas de Governo e moções de censura

O PEV vai avaliar na Comissão Executiva desta quarta-feira a possibilidade de fazer "apreciações prévias" com o PS em relação a matérias como Orçamentos do Estado, rejeição do programa de Governo e moções de censura, rejeitando qualquer documento escrito.

No final da reunião com a equipa negocial do PS, liderada pelo primeiro-ministro indigitado, António Costa, o deputado José Luís Ferreira transmitiu aos jornalistas a disponibilidade do PEV para "votar todas as propostas" que no entendimento do partido "possam prosseguir o caminho que foi iniciado há quatro anos", ou seja, que "possam vir trazer justiça social e equilíbrio ambiental e que encontre expressão nas propostas e nos compromissos" assumidos pelo partido.

O que ficou pendente para logo, na comissão executiva, são as apreciações prévias em relação a três matérias: OE, eventuais propostas de rejeição ao programa do Governo e eventuais moção de censura que possam aparecer durante a legislatura", adiantou.

Estas três apreciações prévias, segundo o deputado do PEV, que "serão decididas ou ratificadas logo pela comissão executiva foi o que ficou em aberto".

Mas não há qualquer documento escrito que Os Verdes possam subscrever com o PS porque, como já disse ontem, há quatro anos o documento escrito surgiu por exigências do então Presidente da República, Cavaco Silva. sendo que já ontem o atual Presidente da República nos disse que não ia fazer exigências dessa natureza", reiterou.

Assim, há para já "o acordo de Os Verdes votarem a favor das propostas que considerarem que são justas para os portugueses e para o ambiente e de rejeitarem aquelas onde esses pressupostos não estão presentes, tal como no passado".