O primeiro-ministro pediu esta quarta-feira aos empresários para começarem já preparar as suas candidaturas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e que não acreditem que este é um programa para a administração pública.

António Costa deixou este apelo na sessão de inauguração da 55ª Capital do Móvel - exposição de mobiliário de Paços de Ferreira que estará patente no Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, em Lisboa.

Estamos num ponto de viragem, estão criadas as condições para os primeiros PRR serem aprovados ainda na presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (até junho) e esperamos que entre eles esteja o de Portugal. Isso significa que é altura de nos concentramos neste programa, de o estudar e preparar as candidaturas, porque vamos ter muitíssimo pouco tempo para executar o PRR", advertiu o líder do executivo.

O primeiro-ministro aproveitou para fazer uma crítica indireta aos setores à direita do PS, que têm apontado um alegado excessivo peso da administração pública na execução PRR.

"Sei que têm ouvido dizer que é sobretudo a administração pública que terá de executar o PRR, mas espero que não acreditem nisso. Não fiquem parados", apelou, contrapondo, depois, que este programa tem mesmo um conjunto de verbas "que não podem ser utilizadas pela administração pública".

Ou são utilizadas pelas empresas ou são perdidas. É mesmo tempo de nos deixarmos do debate da ficção e concentramo-nos na realidade. E a realidade é que o PRR pode ser um trampolim para um salto em frente", avisou António Costa.

Na sua intervenção, o líder do executivo referiu que as empresas do mobiliário, assim como a generalidade da indústria, não parou a sua laboração ao longo da pandemia da covid-19.

"A indústria do mobiliário teve um desempenho extraordinário nos últimos quatro anos, com um crescimento do emprego na ordem dos 17% e de 13% nas exportações", apontou.

Em relação ao PRR, António Costa destacou a vertente da capitalização das empresas, com 1550 milhões de euros, sobretudo destinada a pequenas e médias, em que o Banco de Fomento terá "um papel fundamental em termos de operacionalização".

Além da capitalização, segundo o primeiro-ministro, haverá 650 milhões de euros para adaptação das empresas à digitalização, através de programas com o objetivo de estimular "a capacidade de inovação".

"Mas haverá 1500 milhões de euros para a formação, reconversão e requalificação profissional", disse, já depois de o presidente da Câmara de Paços de Ferreira, Humberto Brito, ter alertado para a circunstância de muitos dos trabalhadores da indústria do mobiliário estarem na casa dos 40 anos e terem pela frente, pelo menos, mais 20 anos de trabalho, num setor em constante mutação tecnológica e com muita competição internacional.

O presidente da Câmara de Paços de Ferreira, tal como também reconheceria logo a seguir António Costa, pediu a instalação de um centro tecnológico, tendo em vista a certificação dos produtos produzidos.

Neste ponto, o primeiro-ministro disse que o PRR "irá reforçar o programa Interface com mais 200 milhões de euros para o desenvolvimento de laboratórios e centros tecnológicos, visando reforçar a ligação entre a atividade industrial, a produção de conhecimento e a certificação da qualidade de cada um dos produtos".

"Estamos num ponto de viragem", acentuou António Costa.

No primeiro discurso da sessão, o presidente da direção da Associação Empresarial de Paços de Ferreira, Samuel Santiago, referiu que as exportações deste setor ultrapassaram os dois mil milhões de euros em 2019 e que em 2020, ano de crise provocada pela pandemia da covid-19, a generalidade das empresas manteve os postos de trabalho.

No entanto, Samuel Santiago alertou para a conjuntura de subida de preços das matérias-primas nos mercados internacional.

"Isso terá reflexos no preço de venda aios consumidores", acrescentou, num discurso em que pediu atenção do Governo para essa situação.

/ RL