O secretário-geral do PS afirmou esta quarta-feira que os socialistas e o Bloco de Esquerda vão ter nos próximos dias reuniões para avaliar se há condições de convergência que permitam um acordo de legislatura entre as duas forças políticas.

Falando o final da reunião com o Bloco de Esquerda, que decorreu na sede desta força política, António Costa referiu que na próxima semana se saberá quais os modos concretos em que se estabelecerá a relação entre os dois partidos ao longo da legislatura.

Convergimos quanto à vontade mútua de prosseguir o trabalho conjunto que tivemos nesta legislatura. Os modos concretos em que trabalharemos em conjunto na próxima legislatura é algo que iremos continuar a avaliar. Nos próximos dias teremos reuniões de trabalho [com o Bloco de Esquerda] para vermos quais são as condições de convergência que permitam o grau de compromisso", declarou o líder socialista.

A coordenadora bloquista, Catarina Martins, afirmou também que o BE apresentou ao PS uma proposta para "entendimento inicial que possa estar plasmado no programa de Governo", com o objetivo de reforçar uma solução política com "um horizonte de legislatura".

Catarina Martins falava aos jornalistas na sede do BE, em Lisboa, já depois das declarações do secretário-geral do PS e primeiro-ministro indigitado, António Costa, após uma reunião de mais de uma hora entre as duas equipas negociais de bloquistas e socialistas.

O Bloco de Esquerda apresentou, nesta reunião, a proposta de um caminho para um entendimento que possa ser plasmado no programa de Governo, que garanta estabilidade à vida das pessoas e portanto reforce uma solução política de horizonte legislatura com as medidas que todo o país conhece porque eu as anunciei publicamente", começou por dizer.

Segundo Catarina Martins, BE e PS debateram as "possibilidades de caminho", tendo os bloquistas apresentado um proposta "para um entendimento inicial que possa estar plasmado nesse programa de Governo", o que seria na sua opinião "garantia de trajetória de recuperação de rendimentos e direitos para quem vive do seu trabalho em Portugal".

Julgo que foi uma reunião importante, foi uma reunião muito franca", respondeu a líder bloquista, deixando claro que o BE não fecha a porta a, caso esse caminho não seja possível, se negociarem medidas caso a caso.

Perante os jornalistas, António Costa não especificou em que dias terão lugar essas reuniões entre PS e Bloco de Esquerda, mas adiantou que, na próxima semana, os socialistas farão "uma avaliação" do resultado desses trabalhos mais técnicos.

Ficou claro que, no horizonte de legislatura, há vontade comum de trabalhar em conjunto e dar continuidade à experiência desenvolvida na legislatura anterior. Se isso será feito com documento escrito ou não, isso é prematuro dizer, até porque, quer de uma parte, quer da outra, avaliou-se que não é essencial a forma como essa cooperação exista", acentuou o secretário-geral do PS.

Questionado sobre o "caderno de encargos" já apresentado pelo Bloco de Esquerda para a próxima legislatura, António Costa disse que, nesta fase, está a avaliar aquilo os partidos lhe têm transmitido.

Sabemos quais são os pontos de total convergência e de total divergência e, ainda, quais os pontos que requerem ser trabalhados. A troca de impressões de hoje foi positiva porque nos permitiu identificar quais os pontos essenciais para cada uma das partes", considerou.

Interrogado se prefere um acordo escrito com o Bloco de Esquerda, em vez de negociações caso a caso, como defende o PCP, o secretário-geral do PS afirmou-se "agnóstico" sobre o modo como se poderão revestir os entendimentos.

Em contrapartida, sustentou a tese de que a estabilidade "depende sobretudo da forma como se governa e dos resultados que se obtém".

Há quatro anos quando foram assinadas as declarações conjuntas do PS [com o Bloco, PCP e PEV] muita gente não acreditou na possibilidade de haver estabilidade para quatro anos. Estou convencido que, à partida, há condições para que esta legislatura tenha estabilidade", advogou.