O primeiro-ministro, António Costa, reiterou, esta segunda-feira, confiança política no ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, considerando que é um “ativo importante” no Governo.

“A visita está marcada há bastante tempo, mas a confiança também está manifestada há bastante tempo”, disse António Costa, acrescentando que a confiança no ministro da Defesa está “inalterada” desde que o Governo assumiu funções em novembro de 2015.

O primeiro-ministro respondia aos jornalistas no final de uma visita à Base Aérea n.º 5, em Monte Real, Leiria, a primeira que o chefe de Governo realiza ao ramo.

Ao lado do ministro da Defesa Nacional, que fez saber que não responderia a perguntas, António Costa recusou que Azeredo Lopes seja “um problema” neste momento para o executivo devido aos desenvolvimentos das investigações ao furto e recuperação de material militar de Tancos.

“Pelo contrário, é, como todos os membros do Governo, um ativo importante. O Governo funciona em equipa e todos somos um ativo para que o Governo continue a desempenar as suas funções”, disse.

Instado a comentar as críticas daqueles que consideram que a posição do ministro está fragilizada, António Costa respondeu: “Quando o Dr. Marques Mendes for primeiro-ministro, decidirá quem são os membros do Governo. Enquanto for eu primeiro-ministro, sou eu que decido”.

“Não creio que o Dr. Marques Mendes esteja na iminência de ser primeiro-ministro nem eu de ser comentador”, ironizou, negando ainda que esteja prevista “alguma alteração” quanto à permanência do ministro da Defesa no Governo.

O comentador político Marques Mendes defendeu, no domingo, no seu espaço de opinião na SIC, que o ministro da Defesa deveria “sair ou ser convidado a sair” por ser “um ministro sob suspeita” no caso de Tancos.

Gestão dos meios aéreos de combate aos fogos é um dos desafio da FAP

Entretanto, o primeiro-ministro apontou a gestão dos meios aéreos de combate aos fogos e a disponibilização da base do Montijo para o aeroporto complementar como os próximos “desafios importantes” da Força Aérea (FAP).

No final da visita, António Costa disse que o ramo tem neste momento “um conjunto de desafios importante pela frente”, a começar pela transferência da operação de gestão dos meios aéreos de combate a incêndios florestais.

O chefe do Governo destacou a aprovação na semana passada da resolução de Conselho de Ministros que formaliza o processo e empenha “progressivamente a Força Aérea na função de responsabilidades” numa missão “de grande importância para a salvaguarda da segurança nacional”.

António Costa acrescentou que “cabe também à Força Aérea um desafio importante que tem a ver com a disponibilização de uma das suas bases [número 6] para que o aeroporto de Lisboa possa ser complementado com o aeroporto do Montijo.

Quanto à questão dos recursos financeiros e equipamentos, o primeiro-ministro disse que a próxima Lei de Programação Militar “procurará responder às necessidades imediatas e prementes do ramo”.

O primeiro ministro destacou o programa de aquisição de seis aeronaves KC-390 para substituir o avião de transporte C-130 e que terá “impacto na defesa nacional”, mas também no desenvolvimento da capacidade industrial e tecnológica do país.

Questionado sobre o orçamento para o setor da Defesa, António costa disse que “a trajetória definida” para atingir o compromisso [assumido com a NATO] para aumentar as despesas em defesa até 2024 “terá tradução” na Lei do Orçamento e sobretudo na Lei de Programação Militar que o Governo prevê apresentar brevemente na Assembleia da República.

António Costa assistiu à descolagem de caças F-16 na Base de Monte Real, tendo recebido um capacete de piloto para assinalar a sua primeira visita ao ramo.

Atualmente a Força Aérea dispõem de 30 aeronaves F-16, embora nem todas estejam operacionais de momento, divididas pelas esquadras 201 (Falcões) 301 (Jaguares) e mantém uma parelha destes aviões em alerta permanente.