A comissão de inquérito ao furto de armas nos paióis de Tancos, em 2017, foi hoje aprovada por larga maioria no parlamento.

Na votação, apenas as bancadas do PCP e do PEV se abstiveram. O Bloco de Esquerda, que anunciara não se opor à comissão parlamentar de inquérito, optou por votar a favor.

Em declarações aos jornalistas após as votações, o líder parlamentar do BE justificou o voto favorável com as “mudanças na tutela” da Defesa que entretanto ocorreram.

Para o BE, o anterior ministro, Azeredo Lopes, deveria ter manifestado disponibilidade para esclarecer no parlamento, como o Bloco de Esquerda defendeu, “as implicações que lhe estão imputadas”.

Desse ponto de vista, a comissão de inquérito pode trazer essa personalidade em particular”, disse, acrescentando que divulgará no início da próxima semana a lista de personalidades que o BE quer chamar.

Questionado sobre se o BE quer ouvir o primeiro-ministro, António Costa, na comissão de inquérito, Pedro Filipe Soares disse que não tem “nenhum tabu” sobre personalidades a chamar, ressalvando que o primeiro-ministro tem a prerrogativa de responder por escrito.

A exemplo do passado não estaremos contra de nenhuma proposta de nenhum grupo parlamentar. Os primeiros-ministros têm a prerrogativa de responder por escrito, algo que já foi utilizado por diversos em anteriores comissões, por nós não há nenhum problema”, disse.

O deputado socialista Filipe Neto Brandão vai presidir à comissão de inquérito.

Apesar de ter sido aprovada, o âmbito das investigações a realizar pelos deputados dividiu na quarta-feira as bancadas entre direita e esquerda, com PS, PCP e Verdes a defenderem que também se deve averiguar o que se passou no passado, antes do roubo de material militar a base de Tancos.

A proposta de criação de uma comissão parlamentar de inquérito foi anunciada em setembro, após terem sido noticiadas as detenções de militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR, na sequência da investigação à recuperação de armamento.

O furto do armamento dos paióis de Tancos foi noticiado em 29 de junho de 2017, e, quatro meses depois, foi recuperada parte das armas.

Em setembro, a investigação do Ministério Público à recuperação do material furtado, designada Operação Húbris, levou à detenção para interrogatório de militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR.

Na mesma altura, foi noticiada uma operação de encenação e encobrimento na operação, alegadamente organizada por elementos da Polícia Judiciária Militar, que dela terão dado conhecimento ao chefe de gabinete do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, que se demitiu e foi substituído por João Gomes Cravinho.

Na semana passada, o então Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, demitiu-se, tendo sido já substituído pelo general José Nunes da Fonseca.