O general Rovisco Duarte, já exonerado das funções de Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) pelo Presidente da República, terá proibido a entrada da Polícia Judiciária no Campo Militar de Santa Margarida (CMSM) no dia em que aparecerem as armas furtadas em Tancos. Segundo o Diário de Notícias, este dado consta no documento que o tenente-general Martins Pereira recebeu de responsáveis da PJ Militar e que foi entregue no Ministério Público.

O mesmo jornal revela que nesse documento – que foi entregue a Martins Pereira pelo então diretor da PJM, coronel Luís Vieira, e pelo ex-porta-voz da PJM, o major Vasco Brazão – consta uma “fita do tempo” que descreve os passos de recuperação das armas.

E que esta "fita do tempo" indica que o foi o próprio Rovisco Duarte que impediu os inspetores da PJ de entrar no CMSM quando estes quiseram ir ver o material recuperado - já se sabia que era o que tinha sido furtado em Tancos, em junho. O comandante do CMSM informou ter ordens do CEME para só deixar entrar os inspetores da PJ com mandado judicial.

Os inspetores da PJ acabaram por ficar horas à porta do quartel e este foi um dos episódios a contribuir para as suspeitas em relação à operação executada da PJM.

Só perto das 16:30 é que os cinco inspetores da PJ puderam entrar no CMSM, depois de o comandante do quartel ter recebido ordens expressas do Ministério Público nesse sentido.

Resta saber se a ordem de Rovisco Duarte era legítima, uma vez que a PJ podia entrar na unidade sem mandado judicial por ter a investigação a seu cargo.

A ação de Rovisco Duarte será esclarecida pela investigação do Ministério Público, o que pode implicar que, tal como Martins Pereira, a sua chamada ao DCIAP, bem como o comandante de Santa Margarida.