O Presidente da República escreveu uma mensagem de Natal, no Jornal de Notícias, publicado neste 25 de dezembro, dia de Natal. Marcelo Rebelo de Sousa descreve a época, este ano, como "menos pesada", mas ainda assim com "sentimentos mistos" e com um pé em 2019 lembrou as eleições que aí vêm. Ultrapassada a pressão da crise, destaca que cresceu a sensação de “corrida contra o tempo”, antecipando assim o período eleitoral.

Entre nós, ultrapassada a pressão mais instante da crise e, como temor antecipado de ambientes externos mais complicados, com eventuais reflexos internos, o último trimestre de 2018 fez avultar a sensação de corrida contra o tempo, em busca de metas antes do período eleitoral que se prolongará praticamente por todo o ano de 2019”.

O chefe de Estado escreve os últimos meses foram de debate coletivo, envolvendo a elaboração do Orçamento para 2019 e “o próprio clima pré-eleitoral, muito cedo esboçado”. "No fundo, neste Natal, estamos apenas a cinco meses da primeira de várias eleições importantes para o nosso horizonte até 2023-2024”. O ano que está quase aí com eleições europeias, legislativas e ainda regionais na Madeira.

Há setores sociais aliviados por reajustamentos pessoais e funcionais e outros que esperaram mais, ou esperam mais, para compensar adiamentos do passado"

Também faz notar que, embora os tempos sejam melhores, nem tudo está ultrapassado: "Melhorando embora a expressão dos que se encontram condenados à pobreza ou seu risco, continua a existir um quinto dos portugueses em tais situações, e desigualdades agravadas pela crise resistem em tantos casos”.

Este é, por isso, na opinião de Marcelo, um Natal “menos pesado”, mas feito de “sentimentos mistos”. “Alívio para uns, luta por expectativas acalentadas para outros, preocupação para todos com o que vai chegando de fora de antevisões dos tempos que se avizinham”, escreve o Chefe de Estado.

Que esses sentimentos mistos não nos façam perder nem a coesão nacional nem a esperança, nem a proverbial sabedoria que nos leva a saber separar o essencial do que o não é – é o meu voto de Natal”.

Antes de um almoço de Natal com quatro famílias luso-venezuelanas que estão a viver atualmente em Estarreja, no distrito de Aveiro, Marcelo foi questionado pelos jornalistas sobre essa mensagem e voltou a alertar para os riscos de haver um clima eleitoral que se vai prolongar durante todo o ano, realçando que é preciso "não perder a coesão social".

Estamos a cinco meses das primeiras eleições. Começou muito cedo a campanha eleitoral [para as europeias]. Que não se perca a coesão social, que é o mais importante, e, depois, que se separe o essencial do acessório. O que é essencial é a força da democracia, é haver condições para a estabilidade, é haver melhores condições económicas, sociais, culturais para os portugueses. Acessório é tudo aquilo que é apenas mera afirmação pessoal ou específica, setorial”.

Daí ser importante, do seu ponto de vista, “um Portugal que seja no final de 2019 mais rico, mais justo, mais coeso” do que no final deste ano.

"Não esquecemos os que estão em todos os pontos do mundo"

O encontro com as famílias luso-venezuelanas em Estarreja, que contou com a presença do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, serviu para homenagear as comunidades portuguesas e em particular os portugueses que vivem na Venezuela.

“Não esquecemos os que estão em todos os pontos do mundo, mas recordamos os que estão na Venezuela, e que o secretário de Estado e o ministro dos Negócios Estrangeiros têm visitado e acompanhado e permanentemente”, disse o Presidente da República.

Marcelo deixou em em direto para as televisões e outros meios de comunicação social votos de um bom Natal a todos os portugueses espalhados pelo mundo, lembrando aqueles que vivem situações “muito difíceis” em vários países.

O caso da Venezuela é um caso de que se fala muito, mas temos casos em África e na Europa em que, devido às agitações que houve durante este ano, devido às crises e aos conflitos, às migrações e aos refugiados, houve muitos compatriotas que sofreram muito por toda a parte”, disse, lembrando que é preciso apoiá-los “diplomaticamente, consularmente, socialmente, no plano educativo e no plano político”.

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