O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, prometeu esta quinta-feira defender, sem transigências, o respeito institucional no parlamento, no qual disse que "há adversários políticos, não há inimigos pessoais".

Ferro Rodrigues deixou esta mensagem numa cerimónia de cumprimentos de boas festas ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa, na qual estiveram todos os líderes parlamentares e deputados únicos representantes de partidos, menos André Ventura, do Chega.

Na Assembleia da República eu mantenho toda a tranquilidade, independentemente das novas condições, na certeza de que o respeito pela instituição e pelas outras instituições democráticas é algo em que nunca transigirei, e estou seguro de que todos farão o seu esforço nesse sentido", declarou.

Uma semana depois do episódio em que advertiu o deputado do Chega por utilizar "com demasiada facilidade" as palavras "vergonha" e "vergonhoso", o que levou André Ventura a exigir-lhe um pedido de desculpa, Ferro Rodrigues acrescentou: "Na Assembleia da República há adversários políticos, não há inimigos pessoais".

"Essa é uma questão que eu gostaria de deixar bastante clara, não é por ser época de Natal, é porque é assim mesmo", concluiu, desejando em seguida um feliz Natal e um bom ano novo ao Presidente da República, que tomou então a palavra.

Ferro Rodrigues já se tinha referido ao respeito institucional e às regras para o reforço da transparência que entraram em vigor no parlamento mais no início do seu discurso.

"A Assembleia da República neste ano tem um novo desafio, visto que há um conjunto de diplomas que entraram em vigor com a nova legislatura e que são muito importantes para o reforço da transparência e para o reforço da qualidade dos trabalhos no parlamento", considerou, salientando as "novas exigências em matéria de acumulações e incompatibilidades".

Depois, Ferro Rodrigues afirmou que "este é um parlamento diferente, é um parlamento novo", mas que, "de qualquer forma, há questões que são estruturais e que se vão manter, como o respeito institucional pelos outros órgãos de soberania e pelo próprio órgão de soberania".

A assessoria de imprensa do deputado do Chega, André Ventura, indicou entretanto que a sua ausência nesta cerimónia se deveu a uma reunião com "professores agredidos em escolas", que "era fora de Lisboa e prolongou-se mais do que o previsto".

Na sua intervenção, o presidente da Assembleia da República lamentou "o fracasso negociações sobre as alterações climáticas" na cimeira de Madrid, sustentando que "os países, por mais que queiram avançar, há forças poderosas que estão no sentido inverso e que impediram esse avanço".

É uma luta que vai ter de continuar a ser travada", defendeu.

Dirigindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa como "querido amigo", Ferro Rodrigues enquadrou esta cerimónia de apresentação de cumprimentos como um momento "de solidariedade institucional" no qual se usa de "muita franqueza".

Sobre 2019, descreveu-o como "um ano que correu bem do ponto de vista político e da estabilidade", com os resultados "que são possíveis" no plano económico e financeiro, "mas acima da média europeia em vários casos", saudando a "redução muito forte da taxa de desemprego".

Na sua análise, "foi toda uma legislatura em que, portanto, do ponto de vista político, económico e social se progrediu", mas "é evidente que se deve progredir mais e melhor" nesta nova legislatura.

/ RL