A candidata do CDS-PP à Câmara de Lisboa acusou hoje o executivo de Fernando Medina de desleixo na manutenção de infraestruturas e defendeu que o ajuste direto para o miradouro de São de Pedro de Alcântara está por explicar.

"O executivo camarário, nos últimos anos, desleixou completamente todas estas áreas. Tem-se ocupado de obras de cosmética e não vai ao fundo dos problemas", afirmou aos jornalistas a candidata do CDS-PP à autarquia da capital, Assunção Cristas, junto ao viaduto de Pedrouços, cuja degradação é hoje noticiada pelo jornal Correio da Manhã.

No local, a também presidente do CDS-PP lançou ainda dúvidas sobre a não realização de concurso público para as obras de estabilização das plataformas do Miradouro de São Pedro Alcântara, adjudicadas por ajuste direto, no valor de 5,5 milhões de euros.

"Não consideramos explicável como é que uma situação que está a ser monitorizada há vários anos, que tem relatórios do Laboratório Nacional de Engenharia Civil do ano passado e de este ano, que apontam para a necessidade de manutenção e de algumas obras, mas que nunca falam de emergência, de repente, passa a ser uma questão muito urgente, tão urgente que pode ser feito um ajuste direto por 5,5 milhões de euros", sustentou.

"Não são propriamente trocos", frisou, argumentando a necessidade de existir respeito pelas regras da contratação pública e transparência nestas matérias por parte da autarquia lisboeta liderada pelo socialista Fernando Medina.

Referindo-se ao viaduto de Pedrouços, Cristas sublinhou que "não é o primeiro caso" do que apelida de desleixo do executivo, seguindo-se ao encerramento do viaduto de Alcântara, à derrocada na Damasceno Monteiro e ao buraco no solo de grandes proporções na avenida de Ceuta.

"O que é claro e evidente é que há um trabalho que não foi feito de manutenção por parte da Câmara de Lisboa. Em todos estes casos há um ponto comum, falta de manutenção. Parece que a Câmara só quer atuar quando há uma urgência ou quando as coisas se degradam a ponto de ser necessário intervir", afirmou.

Assunção Cristas sublinhou que, "em todos estes casos, está em causa a salvaguarda da segurança de pessoas e bens", o que "denota uma grelha de prioridades que está invertida" por parte do executivo.

"É grave ter um executivo que não olha para a segurança das pessoas e bens, não olha para a manutenção das infraestruturas. Gostaria que o senhor presidente da Câmara - que, já agora, seria bom que se apresentasse como candidato -, nos explicasse quantas mais destas falhas de manutenção infraestrutural há na cidade de Lisboa", desafiou.

A candidata à autarquia lisboeta afirmou, dirigindo-se a Fernando Medina, que "não basta apenas cortar fitas de obras de cosmética, não basta ir a caminho do hotel Ritz", mas "é preciso olhar para a Lisboa mais esquecida, mais abandonada".

Segundo notícias divulgadas na semana passada, o presidente da câmara de Lisboa ter-se-á encontrado com Madonna, num hotel da capital onde a cantora norte-americana se encontraria hospedada.