A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, considerou esta quinta-feira “lamentável” que o Governo não tenha “uma estratégia de fundo que leve ao crescimento sustentado da economia portuguesa”, a qual está a crescer “muito pouco”.

Os que estão agora no Governo, há um ano, prometiam-nos um crescimento económico de 2,4% para este ano. Aplicaram as políticas que quiseram e o que vamos ter no final do ano será [um crescimento] entre 1 e 1,2%”, disse Assunção Cristas.

E, continuou a líder do CDS-PP, numa cerimónia em Évora, “agora, o Fundo Monetário Internacional (FMI) fala de 1,3%” para este ano, em termos de crescimento económico em Portugal, o que “é muito pouco”.

Já para 2017, realçou, “os que estavam há um ano a fazer campanha eleitoral”, na altura, “prometiam 3,1% de crescimento”, mas “aquilo que puseram no Orçamento do Estado foi 1,5% de previsão”.

“Portanto, eu acho que isto é muito pouco e, sobretudo, o que se sente é que não há uma estratégia de fundo deste Governo que leve a um crescimento sustentado da economia portuguesa. E isso é lamentável, é uma oportunidade perdida”, criticou.

Questionada pelos jornalistas, Assunção Cristas comentava as previsões divulgadas hoje pelo FMI, que estima que a economia portuguesa cresça 1,3% este ano e no próximo, mostrando-se ligeiramente mais otimista do que o Governo para 2016, mas mais pessimista para 2017.

Num comunicado na sequência da 5.ª missão pós-programa a Portugal, que decorreu entre 29 de novembro e a passada quarta-feira, o FMI estimou também que o défice orçamental seja de 2,6% em 2016 e de 2,1% em 2017.

Na inauguração da sede distrital e concelhia do CDS-PP, em que foi anunciado Pedro d’Orey Manoel como candidato do partido à Câmara de Évora nas eleições autárquicas do próximo ano, Assunção Cristas disse também que, mais importante do que análise do FMI, é “a própria análise que o CDS faz e fez” do Orçamento do Estado para 2017 (OE2017).

O CDS-PP não vê, e por isso votou contra, frisou, qualquer “estratégia de fundo neste OE para garantir um crescimento sustentável da economia portuguesa e para garantir que a despesa está controlada, não à custa de cortes cegos nos serviços públicos, que é aquilo que tem acontecido este ano”.

Eu não sei quanto é que vai ser o crescimento para o próximo ano, desejo que seja o melhor possível para Portugal e para os portugueses”, mas, no OE2017, não se encontram “medidas adequadas para garantir, efetivamente, um crescimento das exportações e do investimento e um clima de confiança para que as empresas e os empresários invistam mais e melhor” no país, argumentou.

Questionada ainda sobre o processo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), apesar de o tema ter marcado o último debate quinzenal na Assembleia da República, Assunção Cristas disse não ter ficado totalmente esclarecida: “De forma alguma”.

“Há muitas questões para serem ainda resolvidas, não só as questões da embrulhada que foi o processo da administração”, sobre as quais “o primeiro-ministro não consegue responder cabalmente”, como também “todas as outras questões de fundo que há para perguntar sobre a CGD”, afirmou.

Redação / STS