O ministro dos Negócios Estrangeiros disse, esta quarta-feira, que Portugal apoia o debate sobre o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a NATO, proposto pela Alemanha e França, desde que a discussão não enfraqueça ou substitua o organismo.

“Do ponto de vista português, é importante perceber que o que está em questão não é a existência da NATO, não é a lógica da aliança transatlântica, não é a complementaridade entre a União Europeia e a NATO, mas sim é aprofundar a nossa unidade, a nossa interdependência e a nossa complementaridade”, afirmou Augusto Santos Silva, em declarações aos jornalistas portugueses, em Bruxelas.

Falando no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, que tinha como objetivo preparar a reunião de líderes, que se realizará em Londres, em dezembro, para assinalar o 70.º aniversário da Aliança Atlântica, o governante considerou que “a reflexão coletiva é sempre muito útil”, mas não deve “pôr em causa os princípios, os valores e os axiomas” da organização.

Augusto Santos Silva realçou que o encontro de hoje foi “muito marcado pela apresentação convergente de propostas por parte da Alemanha e da França” relativas a “uma discussão de fundo sobre o futuro da NATO enquanto aliança político-militar, mas nunca perdendo de vista a natureza política da aliança, como a organização que reúne as democracias do atlântico norte europeias e norte-americanas”.

O governante explicou aos jornalistas que, na ocasião, deu o aval de Portugal a estas propostas, mas deixou implícitas três condições a tal aprovação.

“A primeira condição é que nós realizamos esse trabalho para reforçar a nossa unidade, para aprofundar a nossa unidade”, apontou.

Por seu lado, “a segunda condição que Portugal entende ser absolutamente essencial para que o trabalho resulte é a consciência de que o axioma base de que todos partimos é de que o laço transatlântico é a base da defesa coletiva”.

Já a terceira condição “diz particularmente respeito aos europeus” e centra-se no facto de os esforços que os Estados-membros estão a fazer para aumentar o investimento na defesa devem servir “não para enfraquecer a NATO, não para criar outra coisa ao lado da NATO, mas sim para reforçar o pilar europeu da NATO”.

O chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, propôs hoje aos seus homólogos na NATO a criação de um comité de peritos para revitalizar o “debate político” e “desenvolver uma visão comum”, de forma a “recuperar a confiança" entre os aliados.

A intenção de foi divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão ainda antes de o governante viajar para Bruxelas.

A proposta está a ser encarada como uma clarificação da posição de Berlim perante as recentes declarações do Presidente francês, Emmanuel Macron, que considerou, numa entrevista à revista britânica The Economist, que “a NATO está em morte cerebral” e é necessário desenvolver uma defesa europeia autónoma.

Falando sobre tais declarações, Augusto Santos Silva classificou-as como “inoportunas e bastante exageradas”, mas admitiu entender “o sentido” destas palavras, que visam “sacudir as águas” e obrigar a uma reflexão sobre a NATO.