Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros português, apelou hoje, em Berlim, à negociação exclusivamente multilateral acerca da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit). Desencorajou qualquer “espécie de negociação informal”, à margem do Conselho Europeu.

 

Do lado português há [a preocupação] que a negociação seja multilateral e, portanto, não haja nenhuma espécie de negociação informal, bilateral, à margem do Conselho Europeu nas duas diferentes formações", disse Augusto Santos Silva à agência Lusa em Berlim.

 

A preparação do processo de negociação do ‘Brexit’ foi o tema central do encontro de Santos Silva com o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, que decorreu hoje, em Berlim.

 

Além das negociações bilaterais, foi discutida a importância da conservação das quatro liberdades fundamentais da União Europeia. Para os ministros, não é possível “fatiar” a relação com o Reino Unido.

 

Há um princípio de que não podemos abdicar: a unidade das quatro liberdades fundamentais. Ninguém pode ter liberdade de circulação de bens, de mercadorias e de capitais e não aceitar a liberdade de pessoas", referiu o ministro dos Negócios Estrangeiros português.

 

Augusto Santos Silva acrescentou que esta condição "não significa desvalorizar a importância absolutamente estratégica do Reino Unido na Europa, em particular, no pilar da segurança e da defesa europeia".

 

Os ministros discutiram também os resultados das eleições norte-americanas, que desencadearam a marcação de uma reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia. A reunião ficou marcada para domingo à noite, na véspera de um Conselho de Ministros das Relações Exteriores.

 

Santos Silva garantiu haver uma convergência de opiniões entre Portugal e a Alemanha "no sentido em que o resultado eleitoral norte-americano e a nova administração reforçam a responsabilidade da Europa como ator global".

 

A reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros português e alemão focou-se ainda na política de vizinhança da UE, nomeadamente na relação com a Turquia e a Rússia. Ressalvaram o dever "de se manter um diálogo político muito próximo" com ambos os países e a necessidade de assegurar a segurança europeia, "designadamente da fronteira leste da UE".