O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou, nesta terça-feira, na TVI24, que a troca de palavras com o embaixador dos Estados Unidos por causa da China é uma "circunstância completamente ultrapassada".

O governante adiantou mesmo que ainda nesta terça-feira "teve oportunidade de falar com ele sobre outros assuntos, assuntos muitos importantes da agenda".

Trabalhamos com a proximidade com que os aliados trabalham", garantiu, sublinhando que as relações entre Portugal e Estados Unidos "são muito boas e não costumam depender da administração em presença".

Em entrevista ao semanário Expresso, o embaixador George Glass afirmou que Portugal, "nos últimos três anos", tem olhado para os EUA como "amigos" e "aliados" no domínio da segurança e defesa e para a China como "parceira económica".

George Glass defendeu, por isso, que "não se pode ter os dois" e que os portugueses "têm de fazer uma escolha agora" entre "trabalhar com os parceiros de segurança, os aliados, ou trabalhar com os parceiros económicos, os chineses".

Augusto Santos Silva respondeu de imediato ao embaixador, considerando que, "em Portugal, quem toma as decisões são as autoridades portuguesas".

O episódio motivou, inclusive, uma reação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que lembrou o embaixador que são os representantes dos portugueses que decidem os destinos do país.

Ana Gomes "não é uma boa candidata para o Partido Socialista"

Questionado, ainda, sobre as eleições presidenciais e sobre qual o candidato que o Partido Socialista deverá apoiar, Augusto Santos Silva praticamente excluiu a possibilidade de ser Ana Gomes, ex-eurodeputada socialista.

Se Ana Gomes é uma boa candidata, na minha opinião, sim, enriquece o debate democrático; se é uma boa candidata para ter o apoio do Partido Socialista, na minha opinião, não", assumiu.

O ministro lembrou que está marcada uma comissão nacional do partido para o próximo dia 24 de outubro e que a posição do PS deve ser defendida, no seu entender, com base em quatro critérios.

O primeiro critério é qual é a avaliação que fazemos do mandato do atual Presidente da República. A minha avaliação e a avaliação esmagadora dentro do eleitorado do PS e dentro do eleitorado português é que esse mandato foi muito positivo e que foi muito importante este equilíbrio entre maioria na Assembleia da República, Governo e Presidente da República para que o país tivesse estabilidade e reconhecimento internacional", começou por elencar.

Santos Silva assumiu, porém, a sua preferência pessoal por Marcelo Rebelo de Sousa.

Depois há um segundo critério (...) que é saber qual é o entendomento que o Presidente da República, se vier a ser candidato, tem do segundo mandato. O Presidente Marcelo inovou muito no primeiro mandato e bem, na minha opinião, e espero que ele inove bastante na interpretação que faça do segundo mandato. Há, depois, um terceiro critério que é saber se o candidato Marcelo Rebelo de Sousa, se vier a sê-lo, e eu pessoalmente espero que seja, qual é o entendimento que tem da projeção do Presidente da República como garante, que o é, do espaço democrático. (...) Na minha opinião não devemos combater extremismo com outros extremismos, não devemos combater polarizações com outras polarizações, gostaria que o combate contra os extremismo fosse feito a partir do grande arco daqueles que são moderados e compreendem bem o bom-senso do povo português", sublinhou.

Por fim, referindo-se ao quarto critério, ou seja, "a consonância do PS com o seu próprio eleitorado", o ministro disse que "basta consultar as sondagens para saber qual é a orientação do eleitorado do PS".

Redação / CM