O PCTP/MRPP defendeu esta noite que o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho anunciou nova «panóplia de medidas terroristas» contra a função pública e reformados.

As medidas anunciadas por Passos Coelho

«Motivado pelo estímulo e apoio do Presidente da República, Passos Coelho sentiu-se à vontade para voltar à carga com o anúncio de mais uma panóplia de medidas terroristas exclusivamente viradas contra os trabalhadores do setor público e todos os pensionistas», defende um comunicado enviado à agência Lusa.

O PCTP/MRPP defendeu que «depois do genocídio fiscal com que recentemente atingiu os trabalhadores ¿ e em que o tribunal constitucional não tocou ¿ o chefe do governo de traição nacional aponta as baterias para o roubo descarado do trabalho e do salário e a degradação dos serviços públicos que porventura não vierem a ser entregues à exploração privada».

Segundo o partido, «tudo quanto o Governo PSD/CDS se empenha em confiscar ao salário dos trabalhadores e o produto do roubo do trabalho vai direitinho para pagar uma dívida que não cessa de aumentar e que se tornou já de há muito impagável».

«Passos Coelho e Portas atribuem aos salários da função pública e às prestações sociais a responsabilidade da dívida, mas passam por cima dos milhões de euros extorquidos aos contribuintes para cobrir as trafulhices do BPN e dos swaps», acusou.

Para o PCTP/ MRPP, a continuidade da coligação PSD/ CDS no poder tem como consequência o aumento do desemprego e a redução brutal dos salários, entre outros.

«O anúncio provocatório destas medidas terroristas só pode ter como resposta a intensificação do movimento de massas pelo derrube deste governo de traição nacional e a rápida formação de um governo democrático patriótico», indica o comunicado.

O documento termina com a afirmação de que a situação atual «passa cada vez mais pela exigência da demissão do Presidente da República».

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou na sexta-feira numa declaração ao País um pacote de medidas que vão poupar nas despesas do Estado 4,8 mil milhões de euros, até 2015, que inclui o aumento do horário de trabalho da função pública das 35 para as 40 horas, a redução de 30 mil funcionários públicos e o aumento da idade da reforma para os 66 anos de idade, entre outras medidas.

O Governo pretende também criar uma contribuição sobre as pensões e prevê o aumento das contribuições para os subsistemas de saúde dos trabalhadores do Estado (nomeadamente a ADSE) em 0,75 pontos percentuais, já este ano e 0,25 % no início de 2014.

O primeiro-ministro anunciou ainda que o Governo pretende limitar a permanência no sistema de mobilidade especial a 18 meses e eliminar os regimes de bonificação de tempo de serviço para efeitos de acesso à reforma.
Redação / LF