A candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa, Beatriz Gomes Dias explicou este domingo, em entrevista à TVI24, o seu plano para mudar a capital, definindo como principais problemas a crise habitacional e a mobilidade dentro da cidade.

Para deixar a sua marca nos próximos quatro anos, Gomes Dias quer garantir habitação a preços acessíveis para controlar o mercado de arrendamento, um objetivo só alcançável com a garantia de disponibilização de "um grande número de casas". Dez mil, mais objetivamente, que terão um custo de 700 milhões de euros.

A ideia, explica, é mobilizar fundos próprios e vindos do Plano de Recuperação e Resiliência e aplicar um modelo "100% público", um dos pilares inscrito no acordo de governação da autarquia em 2017.

Para o poder controlar, é necessário garantir um grande número de casas - 10 mil casas com financiamento público, a contar com fundos do PRR? 

O PS defende um modelo privado e esse não resolveu o problema. Se o PS tivesse maioria absoluta, as parcerias público-privadas teriam sido utilizadas para responder à crise habitacional na cidade de Lisboa", afirma, explicando que, no seu entender, a estratégia do PS produz "zero casas".

No entanto, a própria sublinha que as 1.200 casas atribuídas ficaram aquém do objetivo das seis mil prometidas no mandato de Medina.  "Pergunta-me se é suficiente? Não. Temos de ir mais longe".

Para a candidata do Bloco de Esquerda é também prioritário retirar o aeroporto da Portela e servir a capital com uma grande estrutura em Alcochete. 

É necessário retirar o aeroporto de Lisboa. Para mim, o som dos aviões e dos carros é o som da cidade. Eu não associo a pássaros, ao silêncio. É um tema que preocupa e causa muito desconforto a muitas pessoas". 

O plano do Bloco de Esquerda passa por construir um novo aeroporto em Alcochete. Uma medida que pesa mais no esforço orçamental, mas Gomes Dias insiste que o custo não é suficiente para ficar de pé atrás.

"Alcochete é a melhor solução para ter um aeroporto onde vão estar os voos intercontinentais", define, acrescentando também o objetivo de fazer com que a mobilidade dentro do espaço europeu deixe de ser feita por avião e passe a ser feita por ferrovia. 

Questionada se aceitaria um acordo como aquele das eleições autárquicas anteriores, Beatriz Gomes Dias não diz que sim nem que não, mas assume que Fernando Medina vai às urnas mais fragilizado, especialmente após a polémica sobre o envio de dados de ativistas para a embaixada da Rússia.

Este caso é um alerta suficientemente grande para que nenhum departamento da Câmara Municipal está isento de cumprir as regras de proteção de dados. Isso é algo que Medina reconheceu, mas é preciso ir mais além".

Sobre se o pedido de desculpa do autarca foi suficiente para o Bloco não avançar para o pedido de demissão de Medina, a candidata reitera que o executivo reconheceu a necessidade de alterar procedimentos.

"Houve uma reestruturação do serviço que era responsável pela receção e tratamento de dados. Essa reestruturação garantiu que a situação que aconteceu não voltaria a acontecer. O processo de avaliação de responsabilidade e popularidade do presidente da Câmara irá acontecer agora nas eleições”.