A candidata do Bloco de Esquerda à presidência da Câmara de Lisboa, Beatriz Gomes Dias, defendeu esta quinta-feira a criação de residências universitárias até 2025 de forma a garantir cinco mil vagas, aumentando a oferta atual de 6,6%.

Lisboa tem 6,6% de vagas para estudantes deslocados, é muito insuficiente, ainda por cima é metade da média nacional que é de 13%, já de si também insuficiente, Lisboa ainda tem menos de 13%. É preciso aumentar a capacidade. Uma das propostas que temos para o mandato, que vai até 2025, é criar a oferta de cinco mil vagas para estudantes deslocados em residências universitárias”, disse.

Beatriz Gomes Dias falava à Lusa após uma visita à residência de estudantes do Pólo da Ajuda, inaugurada há cerca de dois anos no âmbito de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Universidade de Lisboa, proposta pelo Bloco no âmbito do acordo de governação que fez, em 2017, com o PS na autarquia lisboeta.

O edifício conta atualmente com 179 camas, cujos valores dos quartos podem variar entre 76 (bolseiros da ação social) e 190 euros, consoante os rendimentos, estando prevista a conclusão da segunda fase do edifício no segundo semestre, ficando disponíveis um total de 300 camas em toda a unidade.

O terceiro dia de campanha oficial para as autárquicas do dia 26 de setembro foi dedicado pela candidata do Bloco de Esquerda aos estudantes universitários, começando o programa com um almoço na cantina da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde ouviu um grupo de jovens.

A candidata bloquista escutou os principais anseios dos jovens universitários, resumindo as preocupações nas questões da habitação e das residências universitárias, nos preços praticados no aluguer dos quartos e na dificuldade em encontrar locais “baratos e com dignidade de espaço, onde não sejam escuros, pequenos e sem janelas”.

“É de uma extrema importância haver mais oferta, mais vagas nas residências para alojar os deslocados, além da questão dos transportes, sobretudo para aqui para o Polo da Ajuda”, não só para os jovens que moram nesta residência, mas também para aqueles que se deslocam às faculdades do centro universitário e que têm de voltar ao centro de Lisboa.

Tanto na Avenida de Berna, na Universidade Nova, como no Polo da Ajuda, a candidata do Bloco ouviu dos jovens queixas sobre os horários dos transportes públicos, poucas alternativas a servir o complexo e a escassez dos mesmos ao fim de semana.

De acordo com Beatriz Gomes Dias, muitos dos jovens referiram que o custo de estudar em Lisboa “equivalia ao salário mínimo”, sublinhando ser “um peso para as famílias quando têm mais do que um universitário”.

Segundo a candidata, a visita de hoje deu “para conhecer e perceber como funciona” o projeto da residência da Universidade de Lisboa e “usar o modelo ou experiência para criar mais residências”.

“Podemos usar vários modelos, este foi construído de raiz, em terreno da câmara. [A autarquia] tem terrenos, prédios dispersos na malha urbana que podem ser reabilitados”, disse, exemplificando com o caso da Academia Militar, espaço para onde o BE na quarta-feira um projeto de reconversão que prevê 200 camas para universitários.

Beatriz Gomes Dias lembrou também que o Programa de Renda Acessível tem igualmente prevista uma residência com 260 camas que reabilita património da Segurança Social.

“Podemos construir de raiz, como este caso, ou reabilitar património próprio [camarário] ou do Estado central, de forma a aumentar a oferta”, sublinhou.

Na corrida à presidência da autarquia estão, além de Beatriz Gomes Dias, Fernando Medina (PS), Carlos Moedas (coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), João Ferreira (CDU), Bruno Horta Soares (IL), Nuno Graciano (Chega), Manuela Gonzaga (PAN), Tiago Matos Gomes (Volt Portugal), Ossanda Líber (Movimento Somos Todos Lisboa), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!), Bruno Fialho (PDR) e João Patrocínio (Ergue-te).

Agência Lusa / AG