O cabeça de lista da CDU à Câmara de Lisboa considerou esta quinta-feira que a habitação acessível prometida pelo PS e BE na autarquia foi “um fracasso” e defendeu a necessidade de um plano para intervenção nos bairros sociais.

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, veio ajudar o candidato da CDU a presidente da Câmara de Lisboa, João Ferreira, no primeiro comício da campanha para as autárquicas de 26 de setembro, no Bairro Padre Cruz, um dos maiores bairros sociais da Península Ibérica e em território amigo, na freguesia de Carnide, a única junta comunista em Lisboa.

João Ferreira destacou que a situação da habitação em Lisboa vem sempre à baila nas campanhas eleitorais e nestas voltaram-se “a ouvir promessas de não sei quantos milhares de fogos de habitação a preços acessíveis” pelo PS e pelo BE, repetindo promessas de casas a preços acessíveis porque “nada fizeram durante quatro anos”.

Foi um fracasso no que toca à habitação a preços acessíveis. O pouco que foi feito foi a CDU, que abriu portas quando propôs - e a Câmara aprovou - a criação de um programa dito de arrendamento a custos acessíveis - o PACA - que prevê que a Câmara pegue naquilo que é seu – e a Câmara é o maior proprietário da cidade, tem património em todas as 24 freguesias - pois deve pegar nele, reabilitá-lo e disponibilizá-lo a famílias que não possam aceder a habitação a custos acessíveis”, afirmou.

João Ferreira defendeu ainda a necessidade de intervenções nos bairros municipais, como a CDU “lutou para que acontecesse” no Bairro Padre Cruz, através de um plano municipal que intervenha na melhoria do conforto térmico e da eficiência energética das habitações, nos espaços comuns, na acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida e no reforço da resistência antissísmica dos edifícios.

O candidato destacou que não faltaram recursos à Câmara para fazer estas intervenções, porque só em receitas, nos anos anteriores à pandemia, “arrecadou em taxa turística mais do que aquilo que investiu em todos os 66 bairros municipais da cidade”.

“Isto já diz muito daquilo que foram as prioridades de quem teve nas suas mãos o governo da Câmara. Estes dois partidos de que falei [PS e BE] comprometeram-se há quatro anos a intervir nos bairros municipais, reabilitando pelo menos 10% dos bairros municipais ao ano. Falharam também nessa promessa”, criticou.

João Ferreira lamentou “a oferta de habitação social estagnada há cerca de 20 anos”, a gestão demasiado lenta das casas, que vão ficando vazias”, pela empresa municipal Gebalis.

A Câmara tem de pressionar o Governo para que ele próprio assuma as responsabilidades que lhe cabem também no aumento da habitação social, do aumento para as famílias de menores rendimentos e de rendimentos médios porque também essas deixaram de ter rendimentos para aceder à habitação em Lisboa, tal são os preços que ela atinge”, defendeu.

Cerca de cinco centenas de pessoas em lugares sentados, com o devido distanciamento social, e algumas dezenas em pé ouviram as intervenções neste comício, onde o presidente e candidato à junta onde a CDU tem maioria absoluta, Fábio Sousa, também destacou a habitação, afirmando que no mandato que agora acaba foi possível fazer transitar famílias das velhas casas de alvenaria do bairro para 164 novas habitações.

Apesar de eleger uma junta comunista há 10 mandatos, Carnide tem dado o voto aos socialistas quando está em causa a eleição para a Câmara Municipal.

Além de João Ferreira, concorrem à Câmara de Lisboa o atual presidente, Fernando Medina (coligação PS/Livre), Carlos Moedas (coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), Beatriz Gomes Dias (BE), Manuela Gonzaga (PAN), Bruno Horta Soares (IL), Tiago Matos Gomes (Volt Portugal), Nuno Graciano (Chega), João Patrocínio (Ergue-te), Bruno Fialho (PDR), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!) e Ossanda Liber (movimento Somos Todos Lisboa).

Agência Lusa / AG