Nos últimos 31 anos o PS governou a Câmara de Lisboa 26 anos e os sociais-democratas assumiram a presidência do município durante outros cinco, mas nas próximas eleições autárquicas o PSD quer recuperar a liderança que perdeu em 2007.

Nas autárquicas de 2017, o PS – cuja lista integrou dois movimentos de cidadãos (um criado por Helena Roseta e outro por José Sá Fernandes) e o Livre - obteve 42% dos votos para o executivo (106.037), conquistando oito mandatos e perdendo a maioria absoluta que detinha no mandato anterior, enquanto a coligação CDS-PP/MPT/PPM conseguiu 20,59% dos votos (51.984) e quatro mandatos.

A seguir ficou o PSD, que arrecadou 11,22% dos votos (28.336), elegendo dois vereadores, e a CDU, com 9,55% dos votos (24.110) e também dois mandatos. Já o BE voltou à vereação ao obter 7,14% dos votos (18.025).

Os bloquistas elegeram como vereador Ricardo Robles, que saiu do cargo em 2018 na sequência da polémica que envolveu a venda de um imóvel e foi substituído por Manuel Grilo.

Após as eleições, BE e PS assinaram um acordo de governação (com a atribuição de pelouros) no concelho de Lisboa, que em 2020 tinha 509.565 residentes, dos quais 28,26% com 65 ou mais anos, segundo a plataforma estatística Eyedata.

Já de acordo com os resultados preliminares dos Censos 2021, a capital tem 544.851 habitantes e, referem os dados mais recentes do Pordata (2020), uma superfície de 100 quilómetros quadrados.

Em Lisboa, os trabalhadores por conta de outrem auferiam um ganho médio mensal de 1.669,40 euros em 2019 (contra 1.206,30 de média nacional), segundo a Eyedata. Na área da saúde, o município contava, em 2020, com 19,27 médicos por mil habitantes, muito acima da média nacional de 5,56.

Já na Assembleia Municipal, o PS conseguiu maioria em 2017. Ali, bastam 38 eleitos para isso acontecer, número que é ultrapassado se forem somados aos 33 membros socialistas os restantes oito elementos eleitos nas listas do PS: seis do Cidadãos por Lisboa e dois do Livre.

A Assembleia Municipal de Lisboa é ainda constituída pelo PSD (11 membros), CDS-PP (seis), PCP (cinco), BE (três), PAN (dois), PPM (um), MPT (um), PEV (dois) e três deputados municipais independentes.

Além da saída de Robles, o atual mandato ficou marcado pelas renúncias dos vereadores Manuel Salgado (Urbanismo) e Carlos Castro (Proteção Civil).

Manuel Salgado anunciou a renúncia ao mandato no final de julho de 2019, após 12 anos no executivo, referindo que “é necessário que as pessoas não se eternizem nos lugares e deem lugar a outras mais novas”, mas continuou à frente da empresa municipal SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana, de onde saiu em fevereiro deste ano, depois de ter sido constituído arguido num processo que envolve a construção do Hospital CUF Tejo.

Carlos Castro, por seu turno, demitiu-se da autarquia em fevereiro, depois de ter sido vacinado contra a covid-19, quando foram administradas doses que sobraram dos lares, situação que gerou mal-estar no município de Lisboa.

Os últimos meses do mandato ficam também marcados pela polémica sobre o envio de dados - pelo município à embaixada russa - de ativistas que promoveram uma manifestação pela libertação de Alexey Navalny, opositor do Governo russo.

Nas eleições de 2013, o PS conseguiu a maioria absoluta ao reunir 50,91% dos votos (116.425) e 11 mandatos, enquanto quatro anos antes, nas autárquicas de 2009, os socialistas não conquistaram a maioria e tiveram de dialogar com a coligação de direita em matérias como a reforma administrativa da cidade.

De 01 de agosto de 2007 até 06 de abril de 2015, a autarquia foi liderada pelo socialista António Costa, eleito pela primeira vez em eleições intercalares.

Em abril de 2015, tomou posse Fernando Medina (PS), que sucedeu a Costa para este se concentrar na sua candidatura a primeiro-ministro.

Antes, de 2002 a 2007, a capital teve gestão social-democrata, com os presidentes Pedro Santana Lopes (de 23 de janeiro de 2002 a 17 de julho de 2004 e depois de 14 de março de 2005 até setembro desse ano) e António Carmona Rodrigues (como presidente substituto de 17 de julho de 2004 a 14 de março de 2005 e depois como presidente de 28 de outubro de 2005 a 18 de maio de 2007).

Por ter sido constituído arguido no caso Bragaparques - no âmbito do processo de permuta e venda dos terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular em Entrecampos, atos entretanto considerados nulos pelos tribunais -, Carmona Rodrigues deixou a presidência do município da capital em 2007.

Antes dos cinco anos de governação social-democrata, tinha sido o PS a estar no poder, com Jorge Sampaio, de 1990 a 1995, e João Soares, entre 1995 e 2002.

Nas próximas eleições autárquicas, marcadas para 26 de setembro, são candidatos à Câmara de Lisboa Fernando Medina (coligação PS/Livre), Carlos Moedas (coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), João Ferreira (CDU), Beatriz Gomes Dias (BE), Bruno Horta Soares (IL), Nuno Graciano (Chega), Tiago Matos Gomes (Volt), Manuela Gonzaga (PAN), João Patrocínio (Ergue-te), Bruno Fialho (PDR), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!) e Ossanda Liber (movimento Somos Todos Lisboa).

/ AG