O candidato do PSD/CDS-PP/PPM à presidência da Câmara de Aveiro acusou esta quinta-feira a coligação PS/PAN de tentar “usar a fiscalização de um ato eleitoral para fazer campanha”, ao colocar “candidatos de primeira linha” como delegados a mesas de voto.

Isto é uma tentativa absurda de usar o próprio dia das eleições para estar junto dos cidadãos eleitores a procurar condicionar pela presença o seu sentido de voto”, denunciou Ribau Esteves, durante um encontro com os jornalistas para fazer um balanço da campanha eleitoral.

O candidato da “Aliança com Aveiro” apontou como exemplo o facto de o cabeça-de-lista da coligação PS/PAN, Manuel Oliveira de Sousa, ser delegado a 17 mesas de voto em 10 freguesias do município, destacando ainda o caso de David Iguaz, o candidato à União de Freguesias da Glória e Vera-Cruz, que será “o recordista”, por ser delegado em 20 mesas.

“Eu nunca tinha visto isto na minha vida. Isto é de uma pessoa que está de cabeça perdida, que anda nervosíssima e que montou um esquema absolutamente original - e, na minha opinião, absurdo - e que atenta contra os valores básicos da ética, para estar a fazer campanha, para se mostrar no dia das eleições”, disse.

O atual presidente e recandidato à Câmara de Aveiro garantiu que não será delegado em nenhuma mesa de voto: “Em todas as mesas há um delegado da 'Aliança com Aveiro'. Não sou eu. Nenhum dos principais candidatos é delegado, como é óbvio. É uma questão de princípio da nossa parte”.

Referiu ainda que tem sentido que há "uma dinâmica de vitória" na “Aliança com Aveiro”, na rua e no contacto com as pessoas, e manifestou-se satisfeito pela forma como a campanha decorreu, lamentando, contudo, “a excessiva utilização da mentira, da calúnia, da demagogia”.

Julgo que a este nível a campanha atingiu um nível baixo de mais que não é prestigiante, porque todos nós somos democratas e todos nós temos que dar contributos para que a democracia seja mais saudável e seja mais mobilizadora das pessoas”, disse o candidato, que se encontra a disputar pela sétima vez umas eleições autárquicas (quatro em Ílhavo e três em Aveiro).

Por outro lado, considerou “excessiva” e “disfuncional politicamente” a quantidade de matérias de política nacional que são tratadas num debate autárquico, afirmando que “não é correto que o secretário-geral do PS ande como primeiro-ministro a falar da governação do país e do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência)”.

“Isto não faz sentido, porque a campanha é para escolhermos os autarcas das nossas freguesias e dos nossos concelhos e isso é muito importante para a vida da democracia e das comunidades. Este é o tempo de tratarmos do poder local, que foi uma das principais conquistas da nossa democracia”, afirmou.

Na corrida à presidência da Câmara de Aveiro estão o atual presidente Ribau Esteves (PSD/CDS-PP/PPM), Manuel Oliveira de Sousa (PS/PAN), Nelson Peralta (BE), Miguel Viegas (CDU), Cândido Oliveira (Chega), Miguel Gomes (Iniciativa Liberal), Paulo Alves (Nós, Cidadãos!) e João Pinto (PCTP/MRPP).

Agência Lusa / AG