Repete-se a dupla que, em 2013, ficou a apenas 1.700 votos do vencedor Basílio Horta, que recuperou para o Partido Socialista a segunda mais populosa autarquia do país. Agora e ao contrário de então, o PSD terá resolvido apoiar o vereador Marco Almeida e também António Capucho, que concorre à presidência da Assembleia Municipal, algo que há quatro anos lhe valeu a expulsão do partido.

No âmbito do processo de uma concertação de esforços para uma candidatura conjunta, o nome proposto é o de António Capucho", afirmou Marco Almeida, em declarações à Agência Lusa.

Segundo o atual vereador da Câmara de Sintra, que foi vice-presidente durante a presidência do social-democrata Fernando Seara, a sua candidatura já tem o apoio do PSD. Algo que não ocorreu em 2013, quando o candidato do partido foi Pedro Pinto, que conseguiu apenas dois mandatos.

Agora, o atual vereador eleito pelo movimento independente Sintrenses com Marco Almeida (SCMA) considerou que, no processo de encontro com o PSD, a candidatura de Capucho para a assembleia municipal "não é matéria para dividir e que ponha em causa a candidatura conjunta".

O importante é perceber que houve um processo de distanciamento em 2013 e agora há um processo de congregação de esforços para se vencer as eleições de 2017. E é vencer a câmara, a assembleia municipal e as sete freguesias que faltam, porque a avaliação da atual gestão é um desastre", frisou Marco Almeida.

Capucho, da expulsão à redenção

Em 2013, o movimento SCMA foi derrotado pelo candidato do PS, Basílio Horta, por uma diferença de 1.700 votos. As duas forças políticas conseguiram quatro lugares no executivo cada uma, à frente do candidato oficial do PSD, Pedro Pinto, que conseguiu dois eleitos.

Por conta do seu apoio e por ter concorrido à Assembleia Municipal na lista de Marco Almeida, António Capucho, que fora antes presidente da Câmara de Cascais, foi expulso do PSD em fevereiro de 2014, partido que ajudou a fundar em maio de 1974.

António Capucho esteve em alguns momentos do processo negocial com outras formações partidárias, incluindo o PSD, e com outros movimentos cívicos", referiu Marco Almeida, adiantando que voltou a aceitar o seu convite para voltar a concorrer à Assembleia Municipal.

Negociações com CDS-PP

O vereador independente revelou ainda estarem em curso negociações com o CDS-PP para um eventual apoio à sua recandidatura, numa coligação que será designada Sintrenses com Marco Almeida.

Este encontro com diferentes formações partidárias e cívicas é facilitado pela convicção conjunta de que o concelho tem de ter uma alternativa à liderança do dr. Basílio Horta", acrescentando ter já apoios do PSD, PPM e de movimentos cívicos.

Marco Almeida anuncia que a sua recandidatura conseguiu outros apoios, nomeadamente do antigo ministro e presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, que coordena a elaboração do seu programa eleitoral.

No meu caso, sou candidato à câmara, no âmbito de uma coligação designada Sintrenses com Marco Almeida, mas indicado pelo PSD", explicou o atual vereador, acrescentando que os restantes candidatos serão indicados na lista pelos outros partidos ou movimentos.

Capucho negociou com PSD

À Agência Lusa, uma fonte do movimento SCMA adiantou que António Capucho esteve "nas negociações preliminares de Marco Almeida com Miguel Pinto Luz", presidente da distrital de Lisboa do PSD, em dois jantares e dois contactos mais restritos, além de "uma reunião mais alargada para quebrar o gelo e não deixar qualquer ‘pedra no sapato'".

Isto é uma oportunidade única de reconciliar a família social-democrata em Sintra, onde houve cerca de 90 pessoas que saíram, uns porque foram expulsos e outros que saíram de moto próprio", notou a fonte.

O antigo secretário-geral, vice-presidente e líder parlamentar do PSD tem sido um dos maiores críticos da liderança partidária de Pedro Passos Coelho e participou, como convidado e independente, numa convenção nacional do PS.

PSD só avaliará presidentes de câmara

Sucessor de António Capucho à frente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras é o atual coordenador autárquico do PSD e prefere aliviar a nova candidatura do militante expulso. 

Para nós é matéria que nunca irá a decisão da comissão política nacional", disse à Agência Lusa, salientando que as estruturas nacionais partido só se vão pronunciar "sobre candidaturas a presidentes de câmara".

O presidente da distrital de Lisboa do PSD, Miguel Pinto Luz, também se escusou a comentar a candidatura de António Capucho, admitindo apenas que participou nas negociações com Marco Almeida e que o momento é de "resolver os candidatos às câmaras".