Ao chegar à sede do Partido Socialista, no Largo do Rato, António Costa sublinhou que a meta definida para o partido é clara: "continuar a ser o principal partido autárquico português" e isso passa por manter a tendência de maioria nas Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia obtida em 2013.

Confrontado primeiro com os números da abstenção, António Costa - mais numa perspetiva de primeiro-ministro do que de secretário-geral - considera que este resultado será sempre "negativo", ainda que tenha sido ligeiramente superior, comparado com 2017.

Sobre aquilo que considera ser um mau resultado para o PS, Costa explica que foi definido um "critério pacífico e uniforme". "Ganha as eleições autárquicas o partido que tiver a maior parte das câmaras e freguesias. Durante muito tempo só conseguimos ter a maioria das câmaras, mas desde 2013 temos as duas maiorias", afirma.

Questionado relativamente a se uma vitória para o partido seria mais um voto do que o PSD, António Costa explica que é "difícil fazer comparações", já que o "PSD tem muitíssimo mais coligações do que o PS".

"Portanto o PS será seguramente o partido mais votado porque o PSD terá sempre de repartir parte da sua votação - por muito pouco que seja - com os partidos da coligação", considera.

António Costa diz ainda que não está preocupado se o Partido Socialista conquistar câmaras específicas ao PSD ou ao PCP, antes reitera que "cada eleição é uma eleição". "Pela geografia eleitoral, praticamente em todas as câmaras, há muito poucas câmaras em que o PSD e o PCP disputem entre si a presidência, por isso é que, durante a campanha, existiu uma obsessão de todos contra o PS".

"Matematicamente é sempre possível ganhar câmaras, perder câmaras, ganhar freguesias...seguramente, vamos ganhar e perder cargos, é assim", diz o Secretário-Geral do Partido. 

No caso específico da capital, Costa afirma que o objetivo é ganhar a câmara municipal, sem uma "obsessão" por percentagens. E sem maioria absoluta em Lisboa? Há a hipótese de uma geringonça autárquica? "Terá de perguntar ao candidato à câmara de Lisboa", diz, adiantando que não aconselhou qualquer solução política.

"A ser o partido com o maior número de câmaras e freguesias, creio que é a primeira vez que um partido vence três vezes consecutivamente as eleições autárquicas". 

Interrogado sobre se esse horizonte se concretizar e ditar maiores complicações no debate orçamental, Costa sublinha que "não há qualquer contaminação entre os dois momentos.

Explica ainda que o PCP "sempre deixou claro que não misturava o assunto" e do lado do Bloco de Esquerda "as eleições são praticamente irrelevantes, não têm nenhuma participação significativa".

"Não creio que seja perturbador do processo orçamental", afirma.

Focando-se na campanha eleitoral que passou, Costa explica ainda que fez questão de comparecer em todas as ações nas Regiões Autónomas e nos distritos, alguns com calendários muito intensos (Braga, Porto, Vila Real por exemplo).