A presidente da Câmara de Almada e cabeça de lista do PS às próximas eleições autárquicas naquele município acredita que é possível erradicar as barracas do concelho no próximo mandato, mas adverte que tudo depende dos apoios do Governo.

Os montantes que nós estamos a prever rondam os 150 a 160 milhões de euros. A Câmara precisa absolutamente dos programas do 1.º Direito do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]”, disse Inês de Medeiros numa ação de campanha na freguesia almadense do Laranjeiro/Feijó, em que prometeu tudo fazer paraacabar com as barracas e reabilitar o parque habitacional municipal”.

 

Se tudo funcionar bem no sistema de apoio que o Governo criou, e se todos nós formos céleres, eu acredito que estas duas grandes chagas poderão ser resolvidas nestes quatro anos. Mas, para resolver todos os problemas de habitação em Almada - temos que ser honestos -, os nossos planos apontam para um período de 10 anos”, acrescentou.

Inês de Medeiros aproveitou para deixar uma crítica à anterior gestão CDU do município, que acusa de não ter aproveitado o antigo PER (Programa Especial de Realojamento), lançado há cerca de 20 anos, para acabar com as barracas na Área Metropolitana de Lisboa (AML).

A anterior gestão da CDU na Câmara de Almada teve ocasião de erradicar completamente as barracas do seu município, como fizeram outros municípios da AML. Não o fez por falta de vontade e por falta de capacidade de responder a tempo e horas ao programa”, disse.

Na ação de campanha realizada hoje à tarde no Laranjeiro, as primeiras três pessoas que abordaram a atual presidente da Câmara de Almada foi justamente para pedirem ajuda devido a problemas relacionados com as habitações municipais, que não chegam para satisfazer os pedidos.

No Laranjeiro é de facto uma das questões principais. Muita da nossa habitação municipal é aqui nesta zona. É natural que as pessoas aqui, nesta União de freguesias, nos venham falar desses assuntos”, justificou a autarca socialista.  

Sublinhando que nunca escondeu que “a habitação é uma das prioridades para Almada”, Inês de Medeiros lembrou que o município fez “um grande esforço para a estabilização de processos, criação de regulamentos, identificação das pessoas”, fazendo “uma atualização todos os anos, para saber quem está onde”, o que “é uma questão complicada”.

Embora reconheça que há muito trabalho para fazer em Almada, Inês de Medeiros disse acreditar na reeleição para um segundo mandato, “porque os almadenses não querem voltar para trás”.

Eu acho que os almadenses de facto não querem voltar para trás. Todos nós reconhecemos que ainda há muito para fazer. Este mandato foi um mandato muito especial. Importa lembrar que, a meio do mandato, foi necessário dirigir as prioridades para uma emergência, uma emergência real que se prende com a pandemia [de covid-19]. Isto não é desculpa, é uma realidade, é assim”, disse.

Por isso, acrescentou, “os meios que estavam previstos para projetos a médio e longo prazo, mais estruturantes, tiveram de ser canalizados para esta emergência”.

O atual executivo da Câmara Municipal de Almada, presidido por Inês de Medeiros, é governado pelos socialistas com quatro eleitos, a CDU também tem quatro, o PSD dois e o BE um.

Além de Inês de Medeiros, concorrem também à presidência da Câmara de Almada Maria das Dores Meira (CDU), Nuno Matias (PSD/CDS-PP/Aliança/PPM/MPT), Joana Mortágua (Bloco de Esquerda), Vítor Pinto (PAN), Bruno Coimbra (Iniciativa Liberal) e Manuel Matias (Chega).

Agência Lusa / CE